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Carrie (1976)

Stephen King escreve livros às carradas. Boas histórias, más histórias, com bons personagens, ou simplesmente material fast-food. “Shinning” e “Carrie” são talvez as obras mais emblemáticas deste autor. Como todas as obras famosas, são imediatamente sujeitas a adaptações cinematográficas. Quando depois estas provam funcionar, faz-se um remake.

Hoje em dia é tão fácil encontrar prequelas, sequelas, remakes e reboots, como advogados desempregados. “Carrie”, vai ser um novo remake, com estreia marcada para breve (31 de Outubro) e protagonizada por Chloë Grace Moretz (Kick-ass).

Bem, mas para percebermos o que é que esta nova versão pretende revisitar, é indispensável falar do original. O que melhor podemos dizer sobre Carrie (1976), realizada por Brian de Palma (Scarface), é que é sufocante. Difícil será fazer justiça a um filme destes, que claramente é muito mais que um conjunto de sustos.

A história centra-se em Carrie (Sissy Spacek), uma adolescente cuja mãe (Piper Laurie) é fanática religiosa e que, por isso, não teve uma infância normal. Para além disso, a falta de informação, aliada à timidez, faz com que seja constantemente vítima de bullying.

Até aqui a premissa não poderia ser mais realista e actual. Porém, existe um pormenor; ela tem poderes telecinéticos. Isto é, ela consegue mover objectos com a mente (o que deve dar imenso jeito, quando o comando da TV está longe). A partir daqui e como o cartaz do filme indica “if you got a taste of terror take Carrie to the prom”.

O destaque deste filme vai, em primeiro lugar para a interpretação de Sissy Spacek, genial em todos os níveis. Consegue transparecer o sofrimento interno que carrega, por se sentir marginalizada.

Importa também referenciar a versão teenager do John Travolta, que faz de adolescente idiota, com um cabelo e linguagem (transversal a todos os personagens masculinos) que lembra o de Jorge Jesus.

Brian de Palma também merece uma ressalva. Este realizador sempre teve azar nos anos em que estreia os melhores filmes dele. Estreou “Scarface” em ano de “Touro Enraivecido” e com Carrie, sofreu a concorrência pesada de produções como “Rocky” e “Network”. Não obstante, grande parte do efeito que “Carrie” causa, é devido à realização. Todos os planos são repletos de tensão. Sentimos verdadeiramente pena da protagonista. Queremos saltar para dentro do ecrã, para bater na mãe e em toda a escola.

Todavia, o que torna este filme excepcional é o clima envolvente. Bem apoiado pela banda sonora e sem recorrer a sustos tolos, faz-nos sentir desconfortáveis em todos os momentos. Este desconforto culmina com um dos melhores (e mais tenebrosos) finais do género. Nos últimos minutos, não vamos saber para onde olhar.

Veredicto: Será muito difícil apagar a imagem da versão original desta obra. Algo tão bem feito, com um final tão único, é difícil de refazer. Não se pede que façam melhor, como remake o que se pede é que fuja à cópia, mas não invente demasiado.

Carrie (1976) é excepcional em todas as dimensões e antes/em vês de ver o novo, deve começar-se por apreciar este.

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