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Hannah Arendt (2013)

Filmes biográficos sobre personalidades importantes são algo que começa a fartar. Principalmente pela qualidade dúbia. Por exemplo, na última semana fomos “presenteados” com “Diana”, cuja história parece baseada nos relatos da revista “Maria”. Felizmente existem excepções. Excepções tão discretas que se torna complicado arranjar sala para os ver. Hannah Arendt é representativo do que foi dito. Baseado na vida da filosofa política e existencialista, para além de

jornalista. Foca alguns anos na década de 60, aquando do julgamento em Israel de um ex-SS Nazi, Adolf Eichmann. Hannah (jornalista do New Yorker na altura), foi a enviada para cobrir o mediático julgamento. No entanto, o que escreveu sobre esse acontecimento, mudou drasticamente a sua reputação e, de certa forma, influenciou tudo o que escreveu até ao fim da sua vida.

A verdade é que se quiséssemos, poderíamos resumir esta obra em duas palavras, Barbara Sukowa. A protagonista não poderia ter sido melhor escolhida. É ela quem controla o filme, quem o agarra. As expressões, as palavras, tudo minuciosamente estudado, e o resultado não poderia ser melhor.

A fronteira entre a actriz e a personagem perde-se completamente. Ela é Hannah, com todas as suas dúvidas e incertezas. A caracterização é brilhante, tornando esta bela actriz, numa bela filosofa política.

Outro motivo de destaque reflecte o facto de ela aparecer em todas as cenas a fumar (algo típico na figura de Hannah). Isto indica que, se por cada cigarro se perde dez minutos de vida, Barbara deve ter perdido a idade de Manuel Oliveira em anos (perdeu portanto 200).

Para além do tabaco, a história também teve um grande investimento (intelectual). Ao invés de se dispersar ao longo de 69 anos de existência desta personalidade, Margarethe Von Trotta foi inteligente o suficiente para realizar uma obra que se centrou na fase de vida (meses) que mais afectou e influenciou o pensamento de Hannah Arendt.

Esta inteligência foi transversal à forma como filmou todo o cenário circundante. Um ritmo de filme europeu, filmado através do bom gosto de uma mulher. O resultado acaba por ser bastante satisfatório.

Veredicto: Hannah Arendt é uma obra que vale a pena ver, tanto pela gigantesca prestação de Barbara Sukowa, como pela boa história, que fará qualquer um ir a correr para o wikipédia. Definitivamente um filme para ver e apreender.

Hannah Arendt estreou ontem nos cinemas em Portugal

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