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Todas as razões que tornam Freaks and Geeks (1999) uma das melhores séries de sempre

Qualidade nunca significou longevidade e a avaliar pelas séries, poucas são aquelas que conseguem ter muitas temporadas e manter a qualidade – talvez Seinfeld seja uma das poucas que escapa. No entanto, muitas vezes as cadeias de televisão também caiem no erro de encurtar a vida de obras-primas da narrativa. Sem querer adiantar razões e sem querer parecer xenófobo, os americanos são estúpidos.

Ao síndrome de cancelar grandes séries na primeira temporada, chama-se síndrome Fire fly (google it) e Freaks and Geeks não conseguiu escapar a esta maleita devastadora.

Freak and Geeks, como o nome indica, centra-se na vida (em 1980) de 3 geeks no primeiro ano do secundário – Sam (John Francis Daley), Neal (Samm Levine) e Haverchuck (Martin Starr) – e 4 Freaks no último ano – Daniel (James Franco), Ken (Seth Rogen), Nick (Jason Segel) e Kelly (Busy Philips). A juntar ao elenco, talvez a grande protagonista seja Lindsay (Linda Cardelini), uma adorável rapariga que se situa na fronteira entre o Freak e o Geek, saltando entre a Geek que tira boas notas e está no clube de Matemática e a Freak que fuma drogas e se balda à escola.

Uma das primeiras razões que torna Freaks and Geeks uma das melhores séries de sempre é o facto de ter sido criada por Paul Feig (realizador de A melhor despedida de solteira e Armadas e Perigosas) e ser produzida por Judd Apatow (Virgem aos 40, Knocked up). O humor subtil destes dois, em conjunto com o desenvolvimento de personagens atípicas, cria um ambiente que faz lembrar os filmes de John Hughes (Breakfast Club, Preety in Pink), onde são os marginalizados que dão vida à narrativa.

Outro factor que fomenta o cunho de qualidade desta obra-prima da escrita é o elenco. De certa forma, Judd Apatow e Paul Feig foram uma espécie de Maya (em bom), ao ter conseguido encontrar James Franco, Jason Segel e Seth Rogen, antes de eles serem o que são hoje, numa versão ainda copinhos de leite adolescentes. Verdade seja dita, o Sr. Apatow nunca mais os largou, sendo recorrentes nos filmes dele. Mas aqui há que destacar também Linda Cardellini a destilar carisma em cada cena, não esquecendo John Francis Daley e Martin Starr, que sofreram uma evolução gigante. Estes dois passaram de típicos geeks – a pedirem para serem espancados – para uns tipos porreiros, a pedirem para ser espancados.

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No entanto, o melhor da série era mesmo a banda sonora. Começando pelo genérico inicial – com a música Bad Reputation, de Joan Jett – e presenteando-nos em cada episódio com as mais diversas bandas sonoras: Billy Joel, Lynyrd Skynyrd, Alice Cooper, The Who (têm um episódio só à volta deles), entre muitos outros.

O que acaba por tornar Freaks and Geeks uma das melhores séries de sempre é a forma como todos os elementos se conjugam. Focar as minorias e retratá-las sem as julgar, sem tornar ninguém bom, ou mau. Dar o aspecto vintage e a roupagem anos 80 à série e apostar numa banda sonora ecléctica. Todas as partes contribuíram para um todo genial. Infelizmente, nem tudo o que é bom rende e talvez o facto de não ter risos enlatados (como nas sitcoms), ou de não ser um drama policial, talvez por não ser um bem de consumo imediato, ou talvez pelo povo americano ter um dói-dói no cérebro (para não ofender susceptibilidades), a verdade é que mataram algo que poderia ter durado bem mais. Pior, nem um final digno lhe deram, acabou em aberto, a deixar os fãs a salivar por mais.

 Veredicto: É desejável que quem cancelou isto morra com um foguete enfiado no sítio onde entra o tubo da colonoscopia.

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