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Os Pássaros (The Birds, 1963)

Em rescaldo de sexta-feita 13, será interessante voltarmos atrás. Bem atrás, onde em vez de tubarões voadores que atacavam cidades, tínhamos – imagine-se – pássaros a atacar populações. É importante referir que, após a visualização desta obra, a carne de aves deixará de fazer parte da dieta de muitos. Só espero que não façam um filme chamado “Pigs”, o Spoon adora carne suína.

Alfred Hitchcock mudou o paradigma dos filmes de suspense/terror. A ideia de que o que não se vê, mas se antecipa, consegue ser mais assustadora do que todo o “jurratar” de sangue, foi um salto de qualidade cinematográfico.  Em Birds, nós antecipamos e depois vemos, nunca sendo muito gráfico, acaba por causar uma grande impressão. Nunca mais iremos olhar para um pombo nos olhos.

A história centra-se em Melanie (Tippi Hedren), uma loira snobe que resolve ir a Bodega Bay oferecer dois periquitos ao seu, recente, amigo Mitch Brenner (Rod Taylor). Essa acabou por ser a sua pior decisão, quando ao chegar se depara com ataques de gaivotas e corvos.

É interessante verificar que ,com uma premissa tão parva, se consegue criar um filme de culto. Ao contrário do que se possa pensar, o filme é bom e magistralmente realizado. Atendendo aos recursos da época – em que os pássaros parecem ter sido colados com fita cola em cima da película – o filme consegue causar impacto. A história é simples, as interpretações são espampanantes e a maquilhagem faz cada rapariga parecer um travesti (elementos típicos da época). O que é certo é que o filme é tão relevante agora, como seria na altura. Aliás, ataques de tubarões fantasmas e voadores, ataques de crocodilos, de aranhas, todos esses filmes deveriam ter ido beber a este. Conseguir tornar uma gaivota num animal assustador é, sem dúvida, um exercício intelectual complexo.

A ajudar a intensificar o ambiente de ornitofobia estão os efeitos sonoros, complementando aquilo que os efeitos especiais da altura não conseguiam fazer.

Veredicto: Mais que meter medo, mete impressão. Vamos antecipando cenários e gostando cada vez menos de pássaros. Apesar das limitações tecnológicas da época, os efeito especiais conseguem ser menos ridículos que muitos dos utilizados presentemente. Assim, da próxima vez que forem ao parque dar milho aos pombos, tenham muito medo se os pombos não gostarem do milho.

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