Film Fall Preview

A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis, 2013)

Quando um filme se agiganta  em frente dos nossos olhos, não é possível ter essa percepção no imediato. É preciso distanciamento, é preciso respirar para depois se perceber o que se acabou de ver. Para além de se ver Justin Timberlake, versão campónio, a cantar folk, Inside Llewyn Davis mostra-nos uma realidade gélida, num clima encantadoramente depressivo.

Numa altura em que os Oscars se aproximam, esta poderá ser uma obra com direito a estatuetas (melhor argumento será uma forte possibilidade).

A história passa-se numa América no inicio dos anos sessenta e centra-se em Llewyn Davis (Oscar Isaac), alguém que sonha singrar na música folk, mas que vai somando más decisões – engravidar a mulher do personagem do Justin Timberlake é uma delas.

É complicado destacar o que Inside Llewyn Davis tem de melhor. Talvez devêssemos começar pelos diálogos, de uma subtileza soberba, que quase se escrevem sozinhos. Os irmãos Coen – já habituados a fazer bons filmes, como o Big Lebowsky e O Brother Where art thou – mais uma vez superaram-se (assinaram o argumente e realizaram). A realização será o segundo ponto de destaque. A beleza das paisagens de uma Greenwich Village entardecida e gasta, é qualquer coisa que vale a pena ver.

Depois, temos uma banda sonora que se incorpora no espírito cabisbaixo, mas nunca enfadonho, do filme. Num ritmo não muito lento, vamos percebendo todos os contornos da vida de Llewyn e compreendendo o que o faz (re)agir daquela forma.

A verdade é que quem espera ver um filme que dê respostas e com personagens bem definidos (O bom, o mau e a donzela em perigo), engane-se. Aqui, poucos serão os personagens caricaturáveis – talvez com excepção de John Goodman, que nos 10 minutos em que entra não acrescenta nada ao filme, tirando uma ou outra gargalhada.

A tornar esta obra ainda melhor estão as interpretações. Aqui, óbvio, destaque para Oscar Isaac, que se apresenta irreconhecível e se confunde com o próprio personagem que interpreta. Importa também destacar a participação de Carey Mulligan – faz de mulher de Jim (Justin Timberlake) – que, apesar da aparência doce, diz mais asneiras que um taberneiro depois de o Benfica perder. A miss Mulligan está cada mais versátil, filme após filme.

No final ficamos com a sensação de que estamos perante um “Sr. filme”. Inside Llewyn Davis é daqueles que vale a pena ver e rever. É claramente um dos melhores do ano e poucos, se não nenhuns, defeitos terá a apontar. E, nem quem se dedica a criticar Justin Timberlake, poderá abrir a boca desta vez. Melhor argumento do ano, quase de certeza.

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com