Grand Hotel (1932)

Grand Hotel é uma produção de há 81 anos, que resistiu ao teste do tempo de forma exemplar. O nome do filme é o nome do local onde toda a acção se desenrola: Grand Hotel de Berlim. Neste hotel, encontra-se um conjunto de personagens muito diferentes, cada uma com os seus problemas, preocupações, objectivos e histórias. O total de 112 minutos propõe conhecer cada uma destas personagens a um nível mais profundo, assim como analisar como as interacções entre elas se desenrolam.

As personagens principais são O Barão (John Barrymore), um gentleman falido e endividado cuja, aparente, principal motivação é o dinheiro. Grusinskaya (interpretada pela estrela Greta Garbo), a dançarina de talento de nível mundial, que se encontra hospedada no hotel, enquanto cumpre as suas performances na cidade, mas que se encontra triste e solitária. Flaemmchen, a estenógrafa (Joan Crawford), uma mulher simples e charmosa, que se encontra no hotel em trabalho, contratada por Preysing (Wallace Beery), o director principal de uma multinacional de têxteis que pretende fechar um negócio fundamental no Grand Hotel. Otto Kringelein (Lionel Barrymore), um homem de origens simples, trabalhador na fábrica de Preysing, que se encontra em Berlim para consultar um médico devido ao seu estado de saúde. Doutor Otternschlag (Lewis Stone), um médico, veterano de guerra que carrega consigo as marcas físicas e psicológicas da Primeira Guerra Mundial e, por fim, Senf (Jean Hersholt), o porteiro que passa noites sem dormir, enquanto é forçado a cumprir o seu horário e a aguardar o nascimento do seu filho.

Destes actores principais é necessário destacar o desempenho de Lionel Barrymore, com um papel brilhante, oscilando com mestria entre o drama e a comédia, sendo o responsável por alguns dos momentos mais emocionalmente intensos e por alguns que mais facilmente suscitam gargalhadas. No departamento feminino – e apesar de Greta Garbo ser a estrela deste filme – o desempenho de Joan Crawford é muito mais impressionante, tendo um forte presença, expressividade e contribuindo para refrescar o filme nos seus momentos mais aborrecidos.

Infelizmente, o início do filme é lento e enfadonho, sendo um desafio ultrapassar os primeiros 30/40 minutos. Contudo, com o avançar da narrativa, o espectador é inevitavelmente atraído para a rede de relações e motivações que se estabelecem.

A acção que desencadeia o final é, de certa forma, insatisfatória, tendo tanto de anti-climática como de inesperada. Dá quase a impressão de surgir para terminar a narrativa e não como se fizesse parte da narrativa. Felizmente, e contrabalançando os pontos negativos, é inevitável reparar no aumento da qualidade do som do filme anterior para o oscarizado deste ano. O Spoonjá não necessitou de aparelhos auditivos para idosos para perceber as falas deste filme.

Veredicto: Para um filme com 81 anos, Grand Hotel é perfeitamente recomendável para a actualidade. A produção de Edmund Goulding continua a poder ser apreciada nos dias de hoje, sem esforço, por qualquer pessoa que esteja interessada em ver um bom filme, por muito pouco que perceba de cinema ou de filmes de época.

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