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Nouvelle Vague

Tendência muito mais interpretativa que qualquer uma que a anteceda e que aquela, que por si, é traumatizada e a precede. Vinte e quatro frames por segundo em que vale tudo menos ser claro e directo, revolução apaixonada como que de facto (ou não) se define e insinua, sem medos de julgamento, inconsequente como se se tratasse do jovem adolescente idealista, pretensioso e perversamente audaz do indivíduo colectivo que responde pelo nome de Cinema.

Não procura amigos, legiões de fãs, êxitos de bilheteira ou amores de críticos, nem tão pouco busca o snobismo intelectual e anti-blockbuster da 7ª arte de pseudo-pensantes para pseudo-pensadores; simplesmente ruge à la Ipiranga: “Porque não!”, sem medo de tropeçar nas escadas do palco da arte global. O pecado artístico é humano e por isso relativo, não existe.

O cinema, se retrata a vida não deve ser um mar de rosas hollywoodesco; a vida é formista, mecanicista, organicista e contextualista, literal e metafórica, relativa e concreta, a preto e branco, cinzento e do azul índigo do descapotável do Zé Cid, Norte e Sul, pai, mãe, filho e cão, tudo ao mesmo tempo.

Veja-se que de um lado, temos a ilusão idílica, irreal e fantástica que alimenta a defesa narcísica de um Eu em marasmo existencial; do outro temos a confusão, o mayhem caótico primórdio e actual que nos deixa ansiosos, paradoxalmente pela falta de expectativa não aceite peremptoriamente daquilo que é ser nascido e vivo num mundo obrigatoriamente fascizante, natural e relacional. Godard, Truffaut e outros apontam a todos os Zés Ninguém de W. Reich sem a frustração deste, pela compreensão e sentimento de pertença de um semelhante que de facto são. Tragédia ou Comédia? Nenhuma, ambas… Nada tem que ser definido, porque tal é definitivamente impossível.

Arte… há quem conte sete, há quem as encontre incontáveis. Uma coisa é certa, é um fenómeno transcendente que adoça a sanidade entediante das nossas vidas, e se entendermos pelo menos o cinema como mera constatação moralmente despretensiosa dessa vida, não queiram, esperem ou peçam que siga um manual, uma lógica que não a sua própria ou uma conduta decorosa… deixem-no ser e riam-se do que nos faz humanos.

Na imagem acima, Alphaville (1965) uma das obras mais emblemáticas de Godard

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