Lawrance of Arabia (1962)

Lawrence of Arabia é um épico de David Lean que conta a história de Lawrence, um soldado comum que se torna uma figura de relevo incontornável na revolução árabe.

Em 1916 o Tenente Lawrence, posicionado no Cairo a cumprir tarefas administrativas, pede transferência para a Península Arábica, tornando-se o oficial de ligação entre o exército britânico e os seus aliados – os árabes rebeldes – contra a expansão turca. Este jovem militar é um personagem caricato, com maneirismos e respostas pouco apropriadas para um oficial. O facto de ter um nível anormalmente alto de cultura e um incompreensível fascínio pelo deserto faz com que seja considerado dispensável, assim não faça ele estragos.

Este é o ponto de partida da obra que se estende pelos quatro momentos principais da campanha de Lawrence: (spoilers) a conquista de Aqaba, o seu rapto e tortura pelos turcos, o massacre de Tafas e Damasco (fim de spoilers).

Há que elogiar a quantidade e qualidade de desenvolvimento das personagens ao longo destes 216 minutos. Sem dúvida que é Lawrence quem mais surge como protagonista, tornando-se numa figura central tanto para os árabes como para os ingleses – para os primeiros surge como um líder, respeitado e admirado, capaz de unir as tribos e dar-lhes vitórias na guerra pois “[…] o homem que dá vitórias em batalhas é apreciado acima de qualquer outro homem.”. Para os ingleses surge como a resposta a uma guerra que ameaça esgotar os recursos da coroa e que é mais trabalhosa do que deveria ser tendo em conta as circunstâncias na Alemanha.

É indiscutível que a produção neste filme é de proporções gigantescas, seria-o hoje em dia e foi-o ainda mais em 1962. Mesmo nos dias que correm, em que o público é bombardeado com cenas estonteantes – estreia sim, estreia não – em Lawrence of Arabia as mesmas deixaram qualquer um de boca aberta, a pensar na enormidade que foi realizar este filme. O elenco é de alta qualidade, nomes emblemáticos do cinema como Peter O’Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn e Omar Sharif não desiludem e têm um desempenho apaixonado e vibrante.

 Veredito: Por mais dúvidas que pudessem pairar, Lawrence of Arabia mostrou ser, sem dúvida, um clássico a não perder. Desde os actores, à produção, à história, ao ambiente do deserto da Península Arábica, tudo é calculado de forma a que o resultado seja um épico pronto a durar meio século. O único ponto dissuasivo neste filme são os 216 minutos (3h36 para quem não gosta de fazer contas) que podem ser muito maçadores de passar sentados (ou deitados – o Spoon não discrimina) a olhar para um ecrã. Ainda assim: altamente recomendado. 

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