Saving-Mr.-Banks

Ao Encontro de Mr. Banks (Saving Mr. Banks, 2013)

Saving Mr. Banks é o mais recente filme da Disney, e muito provavelmente uma das melhores obras Disney não animadas dos últimos anos.

Quando as filhas de Walter Disney (Tom Hanks) lhe pediram que fizesse o filme do seu livro favorito – Mary Poppins, de P.L. Travers – Walter não hesitou em prometer-lhes que sim.

Vinte anos e dezanove recusas por parte da autora depois, Travers (Emma Thompson) dá por si numa terrível situação financeira, sendo empurrada pelo seu agente a aceitar negociar os direitos do livro, para o grande ecrã. A autora viaja então até Los Angeles, onde se reúne com nomes dos estúdios Disney, como os irmãos Sherman (B. J. Novak e Jason Schwartzman), na tentativa de orientar cada passo da realização do filme até este ser do seu agrado – o próprio Walt Disney participa frequentemente no processo na tentativa de amenizar a difícil autora.

São 125 minutos de altíssima qualidade. O ponto forte são as interpretações: Tom Hanks apresenta Walter Disney como o génio singular que ele era e com um toque extremamente pessoal, mas quem rouba a atenção, seja de Walt seja de qualquer outro ator, é Emma Thompson na interpretação de P. L. Travers. Thompson faz a melhor interpretação da pior autora que alguém pode imaginar: insuportável, irritante, fechada, ríspida e respondona são algumas das “qualidades” que se podem apontar a Travers. A atriz faz um fenomenal trabalho ao transmiti-las todas na perfeição, sendo capaz de transaccionar para um lado mais humano com a suavidade e a elegância necessárias para o espectador perceber as nuances da personagem, sem a considerar desequilibrada ou fabricada. Uma performance digna da academia. Outros pontos fortes do filme são o desenvolvimento das personagens principais – nomeadamente Disney e Travis – que estão até ao fim a revelar-se ao espectador – e a música que vai aparecendo como parte do projecto em mãos.

Poucos são os pontos fracos de Saving Mr. Banks, no entanto, se por um lado as personagens principais estão magnificamente caracterizadas e desenvolvidas, por outro, as secundárias acabam por ter muito pouco relevo (excepção feita a Ralph – o motorista – brilhantemente interpretado por Paul Giamatti) o que se torna tanto mais doloroso por serem personagens interessantes, carismáticas e claramente cheias de história. A narrativa em sim é bem concebida, num estilo adequado e que sem sombra de dúvidas resulta na perfeição, mas os espectadores mais perspicazes muito provavelmente vão perceber o que se vai passar desde o início e, nessa eventualidade, os 125 minutos vão ter tanto de bom como de previsível – o que não signifique que este inteligente espectador não possa achar o filme fenomenal.

Veredito: Saving Mr. Banks é um filme muito bem concretizado, convidando o espectador a entrar nos estúdios da Disney, sendo único nesse aspecto. Para além disso, tem a interpretação genial de vários grandes actores que dão vida a estes ícones históricos. Sem dúvida que vale a pena ver e apreciar esta obra – talvez com uma lágrima nos olhos para o espectador sensível. O Spoon aprova e recomenda.

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