American Beauty STILL

Beleza Americana (American Beauty – 1999)

Beleza Americana é um filme estranho. É difícil avaliá-lo porque não se sabe muito bem o que se acabou de ver.

Um drama? Uma comédia? Algo no estilo slice of life? Uma crítica social de 122 minutos? Mais ainda, não se sabe bem se foi bom, mau, assim-assim ou genial. Esta obra não deve ser vista apenas uma vez, pois o espectador e o filme ganham com cada visualização. Atenção, isto não é o mesmo que dizer que é um bom filme. Porque, sinceramente, é impossível dizer.

A história segue Lester Burnham (Kevin Spacey), um homem de família – normalíssimo. No entanto, é ele que inicia a revolta que permite o desenvolvimento da narrativa. Lester está farto da sua vida, da sua mulher, da sua filha, do seu emprego e, mais que tudo, está farto da sua própria passividade perante tudo isto. Lester decide começar a viver, lembrando-se novamente de como era ser adolescente. O espectador torna-se então um voyeur convidado a assistir como o pai, marido, empregado e vizinho muda com o novo rumo de vida.

Os pontos positivos de Beleza Americana são muitos. A fotografia é soberba, utiliza momentos de êxtase para conceber cenas memoráveis que ficam para sempre ligadas à obra. O elenco tem um papel fundamental: um filme minimalista depende totalmente dos actores para fazer valer a sua qualidade. Felizmente, os desempenhos são imaculados. Kevin Spacey, em particular, concebe e incorpora toda uma persona que consegue transmitir emoções e estados de espírito de uma ponta à outra do espectro emocional – de depressivo a maníaco, Spacey domina o ecrã. Mas não só de Kevin Spacey se faz o filme. Annete Bening, Wes Bentley e Chris Cooper são outros actores que causam impacto.

Por outro lado, a estranheza desconcertante, referida no início do texto, acaba por funcionar contra o filme: é difícil de ver e difícil de perceber em mais do que uma ocasião.

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