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Gravidade (Gravity, 2013)

Alfonso Cuarón é, no mínimo, multifacetado. Depois de fazer o “muito quente” (a roçar o badalhoco, mas em bom) Y tu mama tambien, decide realizar Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, numa altura em que mostrar a Emma Watson em trajes menores, daria prisão. Já em 2013 sai-se com Gravity, onde o George Clooney foge para o espaço e leva a Sandra Bullock. Certo é que este senhor sabe fazer filmes, especificamente este último é incrível.

Em Gravity acompanhamos uma engenheira, ou algo semelhante, Sandra Bullock, e um Astronauta, George Clooney. Numa altura em que reparavam a nave, são surpreendidos com uma série de acontecimentos (que envolvem levar com coisas em cima e ficar sem comunicações com a terra). Entretanto vão tentando sobreviver, com as estações espaciais (chinesas e russas) convenientemente perto.

Tirando esses preciosismos em termos espaciais, a verdade é que o filme não fala sobre o espaço, ou as viagens inter-planetárias. Gravity é um ensaio existencialista sobre o isolamento humano. À medida que a história evolui, sempre com as piadolas charmosas do Clooney à mistura, verificamos um progressivo aprofundar do desenvolvimento dos personagens, principalmente de Sandra Bullock, que acaba por ser o principal foco da história.

Falando dos atores é curioso verificar que alguns são génios por se conseguirem despersonalizar no desempenho de um papel e criar personagens, enquanto outros usam a sua personalidade gigantesca e o seu carisma para dar os seus tiques a todos os seus personagens: Clooney insere-se neste segundo caso, no entanto, é impossível não gostar da atuação dele. Porém, o destaque terá que recair sobre Sandra, ela sim criou um personagem riquíssimo em todos os seus sentimentos.

Gravity acaba por usar o espaço como metáfora e como uma espécie de “Pornografia visual”, no bom sentido. Os cenários são tão magníficos que deixariam qualquer cinematografo, ou técnico de efeitos especiais, com vontade de fecundar. Este é o principal mérito do filme, aliar uma história super complexa, contada em toda a sua simplicidade, com cenários incrivelmente belos.

O maior defeito do filme é acabar. Se não tivesse um final seria perfeito, isto porque qualquer final que lhe dessem iria suscitar dúvidas. Quem vos escreve encontra-se do lado dos céticos, e por isso, o final é talvez aquilo que menos acaba por satisfazer.

Veredito: Talvez o melhor filme do ano transato e, juntamente com 12 years slave, o maior candidato ao Óscar. Sim, Existem algumas falhas ao nível da representação do espaço, ou em noções de física, mas isso só amedrontará os picuinhas, ou aqueles que, por já terem ido muitas vezes ao espaço, fiquem ofendidos. No geral é um ensaio à solidão humana e à luta, quando não se sabe o porquê de estar a lutar. O final agradará uns e desagradará outros. Se o filme fosse uma rapariga seria a Jennifer Lawrence (agrada a maioria, mesmo não sendo totalmente perfeita).

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