Driving Miss Daisy (1989)

Driving Miss Daisy ganhou quatro Óscares em 1989: o Óscar de Melhor Filme, o Óscar de Melhor Actriz Principal, o Óscar de Melhor Actor Principal e o Óscar de Melhor Guião Baseado em Material Existente. O primeiro Óscar tem uma vantagem óbvia: o Spoon está agora a rever o filme – uma enorme honra. O segundo põe em destaque a atriz Jessica Tandy, que tem um desempenho fenomenal e é protagonista de alguns dos melhores momentos desta obra, sejam eles de comédia, de drama ou de exasperação. Tandy tonou-se, assim, a actriz mais velha a receber um Óscar, mostrando que, aos 81 anos, estava pronta para dar uma tareia a qualquer jovem. O terceiro Óscar envolve a presença de Morgan “Deus” Freeman. No fundo, foram estes dois actores a carregar o filme para o sucesso – as melhores qualidades de Driving Miss Daisy são as melhores qualidades de Tandy e Freeman a contracenarem como só os mestres do ramo do cinema conseguem fazer. Para quem é fã de “Deus”, fica registado que, aqui, ele tem um tom diferente da maioria dos seus filmes. O Spoon não conseguiu identificar se foi pelo facto de ter linhas menos sérias, ou se por ter um sotaque sulista da década de 50, mas Freeman soa diferente – um diferente que não é desconfortável, mas sim genial. O quarto Óscar é relevante porque o Spoon não gosta de esconder informação irrelevante – é uma colher honesta.

Em 99 minutos, o espectador é convidado a viajar até à década de 1950. Aqui, encontramos uma idosa Miss Daisy Werthan (Jessica Tandy) que, recentemente, teve um acidente de condução. O seu filho, Boolie (Dan Aykroyd), preocupado e consciencioso, decide contratar um motorista – Hoke Colburn (Morgan Freeman) – para a sua mãe. Miss Daisy não é a avozinha mais simpática do grande ecrã: é rabugenta, respondona, desafiante e tem toda a teimosia da terceira idade sem nenhuma da ternura ou senilidade. Tudo se desenvolve entre estas duas personagens, Miss Daisy e o seu motorista Hoke. Ao longo de cenas que abarcam duas décadas, é abordado um conjunto de temas como racismo, religião, solidão e os desafios que o passar dos anos trazem.

Em termos técnicos, há uma mistura de planos de fotografia perfeitos e assombrosos e planos que são só estranhos e desconfortáveis. O guião – com destaque para os diálogos – apesar de ser muito bom, peca, em certos momentos, pela espiral de contemplação excessiva em que entra, dando aso ao aborrecimento e à vontade de dormir uma sesta. Felizmente, isto é uma excepção e não uma regra.

Veredito: Driving Miss Daisy é um filme com o Óscar de Melhor Filme mais que justificado e seria inconcebível não ter dado frutos também nas categorias de Melhores Atores Principais. Nunca é demais evidenciar a química e talento entre Freeman e Tandy, motivo mais que suficiente para assistir a esta obra. Para completar, a narrativa é sólida e de qualidade – um filme com poucos pontos fracos e amplos pontos fortes.

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