Film Review The Book Thief

A Rapariga que Roubava Livros (The Book Thief, 2013)

O objetivo do cinema é “enganar” quem o vê. Levar a que o espectador sinta emoções, se mova com o que vê, sem que se aperceba de como isso está acontecer. Para esse efeito, o cinema utiliza muitas vezes metodologias, mais ou menos, óbvias. No entanto, quando o propósito descarado é fazer sentir alguma coisa, normalmente corre mal. Em A rapariga que roubava livros, tínhamos tudo para ter uma excelente obra. A história (baseada no livro homónimo de  Markus Zusak) era excelente e o elenco era bom, no entanto, a tentativa de contar várias histórias complexas de forma simplificada e abusar dos métodos mais básicos para provocar lágrimas, tornou-o uma desilusão.

A história foca-se em Liesel (Sophie Nélisse), uma jovem que é adotada por um casal de meia idade alemão – Hans (Geofrey Rush) e Rosa (Emily Watson), em vésperas do inicio da segunda grande guerra. Liesel entretanto ganhou o gosto pela leitura. Gosto esse que se avolumou com a chegada de um jovem rapaz culto, Max (Ben Schnetzer), que por ser judeu, teve de se refugiar naquela casa. Liesel tinha ainda tempo para um romance pré-adolescente com Rudy (Nico Liersch), o rapaz da porta ao lado. Falta acrescentar que algures a meio da história ela começa a entrar dentro de uma determinada casa para levar livros “emprestados” (daí o nome do livro/filme).

Este foi apenas um breve resumo da história, pois para a contextualizar totalmente, muitos parágrafos teriam de ser escritos. Aliás, um dos grandes problemas do filme é esse: Tentam-se escrever demasiados parágrafos, em pouco tempo (ainda que o filme tenha perto de duas horas e meia). O que isto quer dizer é que, ao procurar desenvolver demasiadas histórias, que envolviam sempre Liesel, acabaram por torna-las quase todas superficiais. Às custas do excessivo foque na personagem Liesel, tudo o que a rodeava tornou-se secundário e algo artificial. O que é pena, atendendo aos excelentes desempenhos de Geofrey Rush e Emily Watson.

Outro ponto fraco é o facto de o filme ser falado inglês, com um sotaque ridículo alemão, ficando a meio termo e caricaturável.

Para além disso, no decorrer do filme somos constantemente bombardeados (palavra com alguma relevância na obra) por uma banda sonora completamente irritante e cliché. Essa banda sonora uniu-se a um final de filme completamente novela mexicana, cujo único objetivo era provocar lágrimas, sem as justificar, criando situações completamente irreais, no meio de uma realidade violenta.

O filme encontra-se atualmente em exibição nas salas  Portuguesas.

  • Carlos Manuel

    Se for uma gaiata a roubar livros até se fazem filmes, eu ia logo preso. É o estado em que está este país!

    • Jorge Sérgio Correia Martins

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