walter2

A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, 2013)

Ben Stiller não é um artista consensual. É capaz do melhor (realizou Tropic Thunder) e do pior (assinou O melga). Enquanto ator a história é a mesma. O que se nota é que, quando o personagem tem menos caretas, mas maior profundidade, a coisa corre bem.  Greenberg foi prova disso e agora The Secret Life of Walter Mitty vem confirmar esses predicados.

Em The Secret Life of Walter Mitty – remake do filme de 1947, com o mesmo título no original – acompanhamos Walter (Ben Stiller), alguém que chega à casa dos 40 anos e ainda não fez nada de memorável. Talvez por isso, ele tenha constantes momentos em que a sua mente lhe foge para o mundo da fantasia. Entretanto, o seu local de trabalho (trabalha na revista Life) vai sofrer uma reestruturação e ele corre o risco de perder o emprego, se não encontrar um negativo, que será a foto de capa da última edição física da revista. Simultaneamente, vive uma paixão secreta por Cheryl (Kristen Wiig)

A ideia do filme (baseada num conto de James Thurber) é original. Durante as quase duas horas do filme passamos progressivamente de um plano do imaginário, para a realidade, havendo alturas em que nos situamos num limbo, em que duvidamos se aquilo está mesmo a acontecer, ou se é tudo da cabeça de Walter.A juntar ao conceito, o filme apresenta-nos algumas referências cinematográficas, responsáveis pelas maiores gargalhadas (sendo que o filme não é propriamente um comédia).

Para além disso, a banda sonora (com referências a Hall and Oates e com muito boa música da banda Indie, Monsters and Man) dá o toque menos comercial que este filme precisa.

Infelizmente, foi sol de pouca dura. A partir da metade da narrativa, a obra perde-se também ela no Limbo, entre o estimulante e o inspiracional-cliché. O exagero de alguns sucessos  e o desenlace, com direito a discursos padronizados e à felicidade em moldes Fast-food, fazem com que o filme passe da originalidade, para mais um produto típico de Hollywood, onde os desfechos são previsíveis e vêm em catadupa.

Todavia, um último destaque é necessário. Ben Stiller tem, mais uma vez, uma interpretação de relevo, muito convincente. Por outro lado, Adam Scott – a sua personagem é quem está a gerir a transição da revista – tem um papel ridículo, com uma barba postiça, a fazer lembrar um Amish que entornou um frasco de graxa preta na penugem debaixo do queixo.

No final do filme, a sensação é agridoce. A primeira metade é muito interessante e aguça a curiosidade de ver o que irá acontecer. Não obstante, o que acontece é mais um final feliz cliché, com direito a discursos que parecem ter vindo de livros de auto-ajuda. Perdeu-se assim uma oportunidade de criar algo maior.

 

 

 

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com