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Um Quente Agosto (August Osage County, 2013)

“Thank God we can’t tell the future. We’d never get out of bed”. Esta é a frase que serve de mote ao filme e que nos prepara para as duas próximas horas e para a sequência de acontecimentos que iremos ver.

Em Um Quente Agosto (que também podia ser conhecido como o filme da Meryl Streep) somos apresentados à família Weston. Família tão funcional quanto uma bicicleta sem rodas. A matriarca é Violet (Meryl), uma viciada em comprimidos com cancro, recém viúva de um alcoólico. Em seu auxílio e para prestar suporte acorreram as suas filhas, com Bárbara (Julia Roberts) à cabeça.

Depois é um desfile de um grande elenco, com histórias pouco relevantes: desde uma miúda adolescente problemática – a “crescida” Abigail Breslin (lembram-se desta miúda no filme Para a minha Irmã?) – e sem esquecer Benedict Cumberbatch (que aparentemente entra em tudo).

O ponto forte do filme, adaptado de uma peça de Tracy Letts, é a sequência dinâmica e rápida de acontecimentos que ocorre na primeira metade. Para além disso, os diálogos e a intensidade imposta são, inicialmente, o que de melhor tem esta obra.

Depois o duo Julia Meryl resulta na perfeição, notando-se uma mestria e química enorme entre estas duas atrizes. Também temos uma espécie de one woman show de Meryl Streep, que tem direito a monólogo e diálogos e que criou uma personagem tão profunda, quanto misteriosa, que vai revelando ao longo do filme.

No entanto, os acontecimentos finais têm a capacidade de tornar Um Quente Agosto numa novela. Se os twists até podem ser interessantes, a forma rápida e avulsa como são revelados, dá toda a ideia de estarmos perante de uma telenovela da TVI. Depois, Julia Roberts, até aí imaculada, começa a entrar numa espiral de over-acting, dando um cunho de excessiva intensidade à personagem (isto é: dá vontade de lhe dar uma chapada). Quanto a Meryl Streep, apesar de uma grande interpretação, talvez não chegue para ganhar o Óscar (também já tem três, puxa!)

Em termos técnicos há que valorizar a fotografia sobre as paisagens desérticas de Oklahoma e a banda sonora (que varia desde Bon Iver, a uma versão country de Kings of Leon).

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