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Temporário 12 (Short Term 12, 2013)

Podemos dividir os filmes em duas categorias: os que levantam questões e os que dão respostas. Nenhum dos géneros é superior ao outro e terá sempre que ver com as preferências de quem vê. Temporário 12 é, para o bem e para o mal, um filme que tenta ser as duas coisas, procurando agradar a todos.

A história centra-se num lar de acolhimento para crianças desfavorecidas. Nesse centro trabalham Grace (Brie Larson) e Mason (John Gallagher Jr.), dois dos responsáveis por evitar que aquelas crianças fujam, ou façam mal a si próprias.

Dentro das várias crianças, duas histórias são mais abordadas: a de Marcus (Keith Stanfield) – um jovem prestes a fazer 18 anos e, por isso, terá de abandonar o lar – e Jayden (Kaitlyn Dever) – com 14 anos e já com um passado de tentativas de suicídio.

O ponto forte desta obra é a forma realista como os problemas são retratados. É por vezes violento e angustiante ouvir os relatos daqueles jovens e perceber o que eles passaram.  Além disso, toda a carga dramática que o filme acarreta, consegue conjugar bem com momentos mais leves, capazes de gerar sorrisos apaziguadores, tudo isto na dosagem certa.

Nesse sentido, o estilo Indie do filme, com planos a fazer lembrar o documentário, dão uma dose de realidade ainda maior. Aqui, há que destacar o excelente trabalho do elenco. As personagens estão repletas de defeitos, não há super-heróis e à medida que a obra se desenrola, vão surgindo cada vez mais perguntas e inquietações. Destaque para a magistral, ainda que curta, interpretação de Keith Stanfield, que retrata um jovem amargurado e com medo do que irá encontrar lá fora. A verdade é que, por se querer aprofundar todas as histórias, a vida de Marcus acabou por ser menos abordada, o que é pena, atendendo ao desempenho excelente e à sua intensidade.

Em relação a Destin Cretton, há que dizer que, em partes, a sua realização foi excessivamente indie e, talvez propositadamente, criou planos em que a camera balançava por todos os lados. Se, inicialmente, esse ar amador aumentava o realismo,depois tornou-se cansativo.

Porém, o que desilude (e há pouca coisa que desilude) é o final. Depois de levantar tantas questões, tantas dúvidas, Destin Cretton (que também assina o argumento) decide dar as respostas todas. Resolve dar uma solução para um problema fraturante da sociedade, oferecendo um final feliz que poderia ser desejado, mas que parece plástico e fantasioso.

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