Uma Longa Viagem (The Railway Man, 2013)

Este filme baseado em factos verídicos estreou cá esta semana.

A acção divide-se entre presente e passado: no presente, o filme acompanha Eric Lomax (Colin Firth) como um veterano de guerra que se apaixona e tenta formar um lar com a mulher que ama, enquanto tenta lidar com as cicatrizes que traz da II Guerra Mundial; no passado, acompanha o grupo de soldados britânicos de que Lomax (aqui interpretado por Jeremy Irvine) faz parte e que é feito prisioneiro pelo Exército Imperial Japonês após a rendição do seu destacamento. Uma Longa Viagem trata das consequências da guerra, não para um país mas para a pessoa, para o soldado que esteve frente a frente com o inimigo.

A história tem um ritmo inconsistente. O início é interessante, mas, à medida que o ritmo diminui, o interesse também decresce. É necessário esperar pela metade do filme para surgir um pico de interesse que volte a prender o espectador à cadeira. Apesar de ser uma obra que relata de forma pesada os acontecimentos e consequências da guerra, este é um filme que emocionalmente não revela muito: sim, Lomax tem um distúrbio de stress pós-traumático, mas não existem momentos de reflexão do próprio acerca de como isso o afeta. As sequelas deste distúrbio não ultrapassam, aqui, a preocupação da sua esposa e a agressão de um colector de impostos durante uma alucinação, o que peca pela falta de profundidade.

O filme em si brilha só já praticamente no fim, quando as narrativas do passado e do presente se encontram num momento de catarse que, esse sim, transborda de emoção e sentimento. A impressão geral é a de que tudo até ali foi feito para dar origem a este final e se faz todo o sentido do ponto de vista técnico e estrutural, a verdade é que dois terços da obra têm uma qualidade inferior à que poderiam ter, resultando numa experiência boa que poderia ter sido excelente.

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