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Big Show Sic (1995-2001)

Ao longo dos 22 anos da Sic conseguimos encontrar bons programas, maus programas e…O Big Show Sic. Pondo de parte todos os preconceitos em relação à qualidade dúbia do formato do programa, a verdade é que marcou uma era, durando seis anos (entre 1995-2001).

A ideia era simples: Ediberto Lima (produtor brasileiro) reparou que não havia espaço na televisão para formatos mais “pimba”, por isso decidiu criar um circo ambulante com um apresentador permanentemente aos saltos, um macaco com problemas de personalidade e bailarinas com pouco dinheiro para comprar tecido. A compor o programa havia espaço para um DJ com uma imponente afro e muitos convidados especiais. Entretanto, foi apanhando duas modas que se disseminaram em Portugal na segunda metade da década de 90: a música pimba (e tudo começou com o “nós pimba” do Emanuel) e a moda das boysband (como D`Arrasar, Milénio e Excesso). Inicialmente (em 95) passado ao Domingo à tarde, depressa foi transferido para o horário nobre de Sábado, concorrendo com Parabéns (de Herman José), nessa altura líder de audiências.

Durante as quatro horas de emissão (que por vezes pareciam décadas) havia espaço para João Baião (o apresentador) se esfregar em todas as bailarinas (carinhosamente chamadas de “baionetes”), que não podendo falar, dançavam sofregamente, ouvindo os ecos do que as mães de Portugal diziam do outro lado das câmaras: “Ai, olha-me para aquela, cheia de celulite, que vergonha”.

Dentro do programa – e talvez o momento mais esperado por todos, inclusive por quem vos escreve – havia espaço para um concurso de novos talentos, onde “cantores” amadores cantavam com toda alma, sob o olhar enraivecido do símio enjaulado, eufemisticamente chamado de macaco Adriano (que mais parecia um Gorila), na espreita para atacar os concorrentes que mais desafinassem. Depois era vê-los correr à frente de tão nobre macaco que, solavancando, procurava “acompanhá-los” à saída. Antes da interrupção para a publicidade tínhamos ainda tempo para ouvir uma das frases mais afamadas de João Baião: “Dona Antónia, vá lá fazer um xixizinho e volte rápido” – isto durante 6 anos (só mudava o nome da senhora).

Depois deu-se o colapso e, mais para o final, quando João Baião abandonou o programa, Jorge Gabriel e José Figueiras tentaram resgatá-lo das profundezas das audiências, tentativa redondamente falhada.

Entretanto, treze anos passaram e o paradeiro de alguns destes amigos é desconhecido. O Spoon não se deixou ficar por vencido e procurou respostas à questão que atualmente mais assola a humanidade: Quem era e onde está o macaco Adriano?

A resposta é simples: Chama-se Carlos Ferreira, tem três filhos (humanos e não símios) e vive em Tomar. A sua vida é intrinsecamente ligada ao circo, para além de participações no teatro e, obviamente, em televisão.

Tirando o seu macaco, ele é ainda reconhecido por fazer de Homem-Aranha. Essas duas personagens são, aliás, atrações atuais do seu local de trabalho, o Circo Royal.

Preferem com ou sem máscara?

Preferem com ou sem máscara?

Quanto ao produtor do programa, Ediberto Lima, viveu momentos complicados após o Big Show Sic.

Ediberto tinha-se, até então, revelado como o salvador da Sic em termos de audiências, vindo da cultura da Globo, criou programas de sucesso como Buéréré e Roda dos Milhões. Acabado que estava Big Show Sic e na necessidade exasperante de concorrer com um tal Big Brother, criou o infame flop, Bar da Tv e, com esse monumental falhanço, “sumiu” da televisão.

Sendo sucessivamente rejeitado por todas as emissoras em Portugal, mudou-se para um outro país de oportunidades: Angola.

Como primeira experiência, foi trabalhar na Boom TV. Atualmente trabalha na TV Zimbo, o canal privado do país, e onde ele promete fazer uma revolução: Irá o Big Show (Zimbo) voltar?

Paralelamente a isso, em 2011, lançou o seu livro de memórias: Ediberto Lima – O Deus e o Diabo da Televisão em Movimento. Veremos o que o futuro lhe reservará.

Aqui, ainda tinha dinheiro para comprar bolos.

Aqui, ainda tinha dinheiro para comprar bolos.

A prova que escrever e ser escritor são coisas diferentes

A prova que escrever e ser escritor são coisas diferentes.

Por fim, importa falar de João Baião, o apresentador que mais parecia estar sobre o efeito de lombrigas (quiçá pediculose pubiana, devido às “baionetes”), tal era a pujança com que saltava e se sacudia.

João Baião veio da tradição do teatro de revista, trabalhando com diversos encenadores, como por exemplo Filipe La Féria, encenador com quem atualmente trabalha em Grande Revista à Portuguesa.

Na televisão, destacou-se principalmente como apresentador, sendo mais reconhecido por Portugal no Coração e, mais recentemente, Praça de Alegria, programa que deixará de contar com ele, devido à mudança que se avizinha para a Sic. Segundo consta, estará previsto o seu regresso à estação de Carnaxide já no verão, para um programa à tarde.

A título de curiosidade (obrigado wikipédia!), importa referir que João também desenvolveu uma carreira paralela como “letrista” (ou devíamos dizer poeta?): escreveu tão singelas canções como: Perdoa (dos Anjos); D`Arrasar (D`Arrasar); Se eu te perder (Xanadu); Não sei viver sem ti (Excesso); Estás onde não estás (Milénio); Não quero mais (D`Arrasar); Se moras no meu sonho (Delirium).

Família Feliz: a mãe, Ediberto, à esquerda e o pai, Adriano, à direita, com o joãozinho no centro

Família Feliz: a mãe, Ediberto, à esquerda, o pai, Adriano, à direita, o Joãozinho no centro e o tio Quim Barreiros a um canto a enfrascar-se.

Aqui no último programa onde pudemos vê-lo.

Aqui no último programa onde pudemos vê-lo.

 

Para finalizar, não poderíamos deixar de falar das bailarinas que tanto se abanavam ao som de diversas músicas, optando sempre pelos mesmos passos de dança, que consistiam em abanar o rabo com tanta veemência que, por vezes, temíamos que os seus traseiros se desmembrassem. Atualmene, e não podendo ter a certeza, o spoon deixa aqui um esboço de como elas devem aparentar.

Sim?

Sim?

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