Cani-arrabbiati-Maurice-Poli-George-Eastman-Lea-Lander-Don-Backy-e-Riccardo-Cucciolla

Cães Raivosos (Cani Arrabbiati, 1974) – 8 ½ Festa do Cinema Italiano

Às 9 horas de sábado, dia 12 de Abril, uma sala pouco composta testemunhou a presença de Lamberto Bava, filho do mítico realizador Mario Bava. Lamberto, que começou como realizador assistente nos filmes do próprio pai, partilhou algumas memórias e contratempos de Cães Raivosos (Cani Arrabbiati, 1974). Ao que parece, desde os problemas de financiamento, à falência da produtora e ao atraso de 24 anos no lançamento do mesmo, Cães Raivosos é uma obra que percorreu caminhos muito sinuosos até ao seu lançamento. No entanto, é considerada uma das obras-primas do seu realizador, Mario Bava, e até fonte de inspiração de realizadores atuais como Quentin Tarantino.

12042014-_DSC4201

Stefano Savio, Lamberto Bava e tradutora

Cães Raivosos é uma viagem alucinante sempre acompanhada de um ambiente altamente tenso e claustrofóbico. O assalto ao carro armado que transporta os salários de uma empresa farmacêutica e a consequente morte do condutor do grupo de ladrões leva a que os outros três criminosos se lancem numa sanguinária fuga da polícia, tentando salvar a sua pele e o dinheiro roubado.

Como tal, o líder “Dottore” (Maurice Poli), acompanhado pelos dois capangas Bisturi (Don Backy) e Trentadue (George Eastman), deixam um rasto de morte que culmina no rapto de Maria (Lea Lander) e de Riccardo (Riccardo Cucciolla), juntamente com o seu filho doente.

Já com Riccardo ao volante, os seis elementos referidos anteriormente embarcam numa viagem de carro que acaba por perfazer grande parte do filme. Seguimos, de forma altamente claustrofóbica, o interior do carro e as diferentes personalidades que o compõem. Dottore, claramente líder e com um sentido empático mais apurado, tenta manter a ordem e os seus dois capangas, Bisturi e Trentadue, controlados. Bisturi, de caráter mais nervoso e impulsivo, é ábil com a faca e não demonstra problema em matar. Já Trentadue parece não conseguir controlar os seus impulsos e descarrega na forma de avanços sexuais sobre Maria, a mulher raptada pelo grupo. Assim, resta Riccardo, que apenas se quer ver livre da perigosa situação de forma a levar o filho doente ao hospital, e que assim tenta manter a calma e colaborar da forma mais razoável possível com o grupo de assaltantes.

Mario Bava consegue transportar o espetador para a ação, levando a que se vivam as emoções dos personagens e as diferentes peripécias ao longo da viagem – como o semáforo vermelho, a portagem, a estação de serviço, e todo um conjunto de momentos que contribuem para o ritmo claustrofóbico do filme.

Quanto aos aspetos técnicos da obra (que se apresenta como claramente low budget), os planos fechados e zooms dramáticos são algo duvidosos e kitsch, mas no entanto são força motriz para a aura claustrofóbica e tensa que caracteriza o filme. Existem também claras falhas ao nível da sonoplastia, com graves problemas de assicronias na dobragem. A banda sonora, no entanto, assenta que nem uma luva – Stelvio Cipriani apresenta-nos, na forma de música, aquilo que seria um filho ilegítimo entre Giorgio Moroder e uma banda sonora de um filme pornográfico dos anos 70.

Concluindo, Cães Raivosos é uma viagem violenta, um road movie marcado de peripécias, tensão e claustrofobia. Capaz de deixar os espetadores sempre com os nervos à flor da pele, peca só pelas más interpretações, erros técnicos e falhas de sonoplastia. Não obstante, é um filme que diverte e é até capaz de fazer soltar algumas gargalhadas. Para além disso, vale a pena esperar pelo fim, pois Cães Raivosos tem um dos plot twists mais inesperados da história.

ARTIGOS POPULARES

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com