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Em Secreto (In Secret, 2013)

Devia haver um subgénero cinematográfico: filmes de época com histórias que parecem tiradas de uma tragédia clássica greco-romana. É o caso de In Secret,  previsível do princípio ao fim. Não que isso seja terrível, mas também não entusiasma.

Elizabeth Olsen, a mais nova das irmãs Olsen, faz o papel de Thérèse, que desde nova é adotada por Madame Raquin e o seu filho, Camille. Os anos passam e a jovem é obrigada a casar com Camille, mudando-se com a sua nova família para Paris. Thérèse é demasiado bonita (e insatisfeita) para se deixar ficar serena num casamento arranjado. Apesar de discreta, rapidamente encontra um pretendente: Laurent (Oscar Isaac).

Passamos grande parte do filme a assistir à relação extraconjugal, com especial ênfase dado à liberdade de Thérèse e a sua tentativa de emancipação sexual. Ela e Laurent decidem que a morte de Camille é necessária, para que possam finalmente estar juntos para sempre. E é isso mesmo que acontece: Camille é assassinado por Laurent, e os amantes ficam finalmente juntos “para sempre”. Numa ironia um tanto clássica e previsível, assim que podem estar juntos, a paixão esmorece. E o que se segue é tanto interessante como expetável.

Resumindo, temos a “típica” história do casal apaixonado mas com um grande bloqueio para a consumação máxima do seu amor. Em psicologia, chama-se o “efeito Romeu e Julieta”: a intensidade da paixão aumenta em proporção com a dificuldade de estabelecer uma relação estável. Quando o obstáculo desaparece, neste caso o marido, a situação muda e os sentimentos também.

Existem outros enredos menos importantes ao longo do filme, como a demência da mãe de Camille, fruto do trauma que é a morte do filho. Mas nada salva da sensação de ritmo relativamente lento e previsível. Elisabeth Olsen é uma atriz competente e muito sensual, tal como Oscar Isaac que, no entanto, demonstrou melhor a sua verdadeira qualidade em A Propósito de Llewyn Davis, dos irmãos Coen.

Há filmes que, pelo tema, estão mesmo a pedir uma “psicanálisezinha”. O psicanalista Slavoj Žižek escreveu uma vez que todos os seus colegas analistas tinham pelo menos um paciente com a seguinte história: num casal entediado com a relação, um dos membros arranja um amante. Quando esse membro finalmente termina o casamento para ficar com o amante, perde-o. A situação criava a paixão. Este filme parece seguir essa mesma tese, e o resultado é competente, mas nada imperdível.

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