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HIMYM – Temporada 9 Episódios 23 e 24 – Last Forever (com retrospetiva da série e spoilers)

Antes de abordar os episódios finais – e da destilação de ódio em relação a eles – importa relembrar o que de melhor teve HIMYM.

Ainda sem saberem quantas temporadas viriam a ter de escrever, Carter Bays e Craig Thomas (criadores), colocaram Ted e Robin como parelha romântica inicial. Tónico que prosseguiu durante toda a série. Ora Ted amava Robin, ora Robin amava Ted, com alguns momentos em que se amavam em simultâneo. A juntar a estes dois, tínhamos os sempre consistentes, Marshal e Lily e o estouvado Barney – o eterno mulherengo.

A dinâmica entre o grupo – que se concentrava repetitivamente no bar Mcclaren – e todas as teorias de Barney, em conjunto com as aventuras de Ted, tornaram HIMYM uma série com um número enorme de fãs (ainda se lembram do episódio com o ananás? Pois, foi uma das questões que ficou por responder no fim).

No entanto, e naturalmente, a qualidade foi sendo oscilatória de temporada para temporada, notando-se que a partir de certo ponto (7ª, 8ª temporada) era só uma questão económica que os fazia continuar. Felizmente, Jason Segel, chegou-se à frente e percebeu aquilo que todos já tínhamos percebido: Estava na altura de dar um fim digno a HIMYM.

Se a dignidade da última temporada é discutível, a qualidade de algumas, mais antigas, não o é. Nas primeiras três temporadas, o ritmo da série, a promiscuidade da vida amorosa de Barney e até a mariquice de Ted, compunham um todo muito engraçado. As piadas eram efetivamente bem conseguidas e os convidados especiais vários (Katy Perry, Jennifer Lopez, Alan Alda, James Van der Beek, Henrique Iglésias, só citando alguns). Isto sempre num estilo de humor que oscilava entre o mais convencional (ao género de Friends) e com algum humor mais “Seinfeldiano” com uma componente de nonsense. Até certo ponto, apesar do tema central da série ser o amor, quem a sustentava era Barney, com todas as suas inovações na área do one night stand.

Talvez, por todas estas qualidades enunciadas, se torne desrespeitoso e de mau gosto a conceptualização da última temporada e, principalmente, dos últimos dois episódios (transmitidos em formato de episódio duplo).

Se, por um lado, passamos a presente temporada presos em 72 horas, os últimos quarenta minutos fazem passar 16 anos. Entrando num festival de superficialidade, em que não há tempo para nos ligarmos aos acontecimentos que vão desfilando à nossa frente (e que começam com o casamento de Barney e Robin). Pior, a mother, se até aqui se tinha mostrado pouco, volta a mal aparecer neste capítulo duplo e tanto o seu surgimento como o seu desaparecimento é contado com um desprendimento desrespeitoso, o que faz com que o título da série não seja o mais correto – ela é tão relevante para a série, quanto apêndices mamários são revelantes para Claúdio Ramos.

No final assistimos ainda a uma edição ridícula, em que a voz de Ted (Josh Radnor) passa a ser a do narrador (até essa altura era o ator Bob Saget que narrava), ocorrendo o cruzamento entra uma cena gravada há dez anos atrás (com os filhos a falarem para o pai), com uma gravada este ano (onde vemos o pai Ted a responder). Ora, dá a sensação que os filhos vieram do passado e estão a falar para uma parede (Neste caso o Ted de barbicha e cabelo grisalho).

Em relação aos finais dos personagens, o de Barney é apressado (assim como apressado foi o seu casamento), e Lily e Marshal mal têm direito a um. Robin reserva para si o twist, mas não vale a pena revelar mais, para já.

No balanço destas 9 temporadas, tendo em conta que as pessoas se lembram melhor da última coisa que veem, os fãs sairão desiludidos pela falta de respeito pela história. Certo é que, para aqueles de memória menos curta, a filosofia HIMYM poderá ainda ressoar. Ficaremos à espera do que How I Met Your Dad nos reserva (a palavra começa em “M” e rima com perda).

 PS: A mother chama-se Tracy e o episódio acaba com Ted à porta da casa de Robin segurando o instrumento musical azul que acompanhara todo o romance deles, enquanto ela o esperava à janela, que nem Dulcineia espera pelo seu cavaleiro montado num nobre corcel (neste caso um maricas com uma espécie de pénis de um smurf, parafraseando o próprio).

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