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A Imagem que Falta (L’Image Manquante, 2013)

A Imagem que Falta é o testemunho de Rithy Panh e Christophe Bataille durante os anos de poder de Khmer Rouge no Camboja, de 1975 a 1979. Usando imagens de propaganda política da altura e bonecos de argila, serviu para retratar os assombrantes anos de repressão e escravidão dum regime extremista.

Sem criticar, ou culpar as medidas tomadas, mais do que um documentário politico, trata-se dum tributo às pessoas e famílias que perderam as vidas durante esse período. A narrativa inicia-se em tempos felizes, seguidos imediatamente pelo exílio de todos os habitantes da capital Phnom Penh para os meios rurais, numa medida tomada pelo regime da altura, e como estes foram forçados à escravidão por parte duma seita ideológica. Estes acreditavam que poderiam forçar o país a um sistema agrário, sem recurso a qualquer tipo de condições e/ou a ajuda vinda do exterior, chegando ao ponto de fazer experiências humanas para o desenvolvimento “puro” do país.

O estilo de documentário, embora pouco ortodoxo, complementa de forma excelente a narrativa. As imagens são bastante eficazes a transmitir o sofrimento e desespero do narrador, sendo estranho, estando a falar de bonecos, mas a verdade é que transpõem de modo aterrador as vivências de quem, na altura, era apenas uma criança.

Talvez não se trate dum documentário para qualquer tipo de público, e pode até chocar os mais sensíveis, mas a verdade é que muitas vezes as pessoas não sabem a sorte que têm por terem um teto, roupa lavada e comida no prato. Aquilo que é tomado como um dado adquirido, infelizmente, ainda se trata apenas dum luxo para muitos.

Costuma-se dizer que uma imagem diz mais do que mil palavras, e esta Image Manquante que foi partilhada pelo realizador vale sem dúvida muito mais que isso. Não sendo uma obra fácil de definir em termos de púbico alvo, a verdade é que, pelo seu poder, deve ser tida como uma experiência transversal a qualquer nicho demográfico, racial, ou de credo político. Pode (e deve) ser vista para enriquecimento pessoal, ou para a compreensão de que existem ainda muitos casos destes espalhados pelo mundo. Trata-se sem dúvida dum trabalho a não perder.

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