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José Combustão dos Porcos (2014)

“Hoje, a mãe do José morreu na cama”. Não, não é o início de um novo romance de Albert Camus (pudera). Mas o absurdo está lá todo – embora o realizador José Magro talvez preferisse a palavra “bizarro” ou “incerto”.

José Combustão dos Porcos é a mais recente curta-metragem de José Magro. É-nos narrada a história de um rapaz que não sabe como nasceu – a mãe evita o assunto e diz-se não existir pai. Há quem diga que terá nascido de uma magia que consistia em queimar porcos. Daí o nome que lhe deram desde pequeno: José Combustão dos Porcos.

Uma voz monocórdica vai-nos guiando pelo cenário transmontano. Tirando a representação fiel da região, nenhum acontecimento é certo ou esclarecedor. Nunca descobrimos se José nasceu por magia, ou se se trata apenas de um mito popular. E um encontro bizarro com uma prima não contribui em nada para uma possível resposta.

Inspirado nas histórias que ouvia do seu avô transmontano, José Magro filmou (em apenas cinco dias) uma história que poderia ser um conto popular da região – o que acaba por ser o aspecto mais interessante da curta. É um filme “partido e sincopado” (palavras do autor), como a própria personagem.

Apesar de bem filmada, a curta-metragem não deixa uma marca forte, uma emoção que dure para lá do filme. Talvez por consistir, muito literalmente, num mito (que não é desenvolvido) narrado num registo um tanto lento e vago. Pode facilmente frustrar quem o vê, se for visto à procura de respostas e não pelo ambiente em si.

Mas a estranheza recompensou: José Combustão dos Porcos foi o vencedor do prémio Melhor Filme Português na 34ª edição do Fantasporto, e já passou pelo festivais Entrevues, em Belfort, e Tous Écrans, em Genebra. José Magro já está a trabalhar na sua próxima curta-metragem de ficção, com o título provisório Viagem.

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