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La Maschera del Demonio (1960) – 8 ½ Festa do Cinema Italiano

 O cinema de terror, principalmente os “clássicos” dos bons velhos tempos, fascinam hoje mais pessoas pelo aspeto cómico do que pelo susto. Juntamo-nos com amigos para ver a filmografia de George Romero, para aplaudir os litros exagerados de sangue e rir dos efeitos especiais algo dúbios. Quanto mais para trás na cronologia vamos, mais isto acontece. Os épicos da Universal dos anos 30 são a primeira era de ouro do terror, altura em que no cinema americano é criado o rating “H” (para “Horrific”!). E por muito risíveis que sejam, há uma espécie de reverência (merecida) à volta de personagens como o Dracula de Bela Lugosi ou o Frankenstein de Boris Karloff.

Saltamos três décadas e em itália a moda do terror ainda está no início. La Maschera del Demonio (traduzido em inglês para Black Sunday) chega precisamente em 1960, sendo a primeira longa-metragem de Mario Bava – realizador que está agora a ser homenageado em retrospectiva na Festa do Cinema Italiano.

O ambiente gótico do filme, com o seu preto-e-branco sombrio, estaria em casa com os seus irmãos americanos dos anos 30. O trailer do filme (são sempre fantásticos, nesta altura e neste género de cinema) só ajuda para o jogo de semelhanças.

A história é inspirada por um conto de Gogol e é de um cliché delicioso: Asa Vajda (Barbara Steele), uma bruxa-vampira (sim, bruxa-vampira), é condenada pelo irmão e executada pela inquisição. Antes de ser empalada numa terrível máscara, Asa coloca uma maldição no irmão, responsável pelo julgamento. Já agora, esta cena de abertura é a mais icónica do filme. Depois disso, assistimos à vingança da bruxa-vampira, dois séculos depois, sobre os descendentes da família. Inclui mortos-vivos, seres possessos, castelos góticos, florestas sombrias, uma história de amor fraquíssima e uma atriz principal (Barbara Steele) que embora tenha ficado famosa pela suposta beleza, vem a provar que a beleza ou é muito subjetiva, ou cultural.

Ava Vajda prestes a levar com uma máscara dos demónios

Ava Vajda prestes a levar com uma máscara dos demónios.

La Maschera del Demonio é hoje considerado um dos clássicos do cinema de terror, embora muito mais tardio que os épicos com Lugosi. Em termos históricos, é relevante por ajudar a introduzir o género na Europa. Em termos cinematográficos, parece que estamos a ver uma espécie de enciclopédia do susto, com todos os truques que hoje em dia já não funcionariam de tão usados.

Em 1971, Bava realizaria Ecologia del Delitto, um dos primeiros exemplos do subgénero de terror “slasher movies” – geralmente aqueles filmes onde um psicopata agradavelmente esquarteja gente inocente, muitas vezes jovens, muitas vezes muito graficamente. Esta foi a sua última marca no cinema, influenciando futuros mestres como Tarantino.

La Maschera del Demonio interessará principalmente como filme de culto para aficionados do género. A cena de abertura é de facto icónica só por si, sendo o resto do plot um típico episódio do Scoobie Doo (tirando a parte da bruxa-vampira que, neste caso, é mesmo uma bruxa-vampira). Quem não tiver paciência para aulas de história do cinema, tem sempre as mangueiradas de tinta vermelha do mestre Romero.

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