Blood-Ties

Laços de Sangue (Blood Ties, 2013)

Guillaume Canet, prolífico ator francês, tem vindo a pegar destaque atrás das cameras, com relativo sucesso. Outro aspeto que se nota é a progressiva melhoria nos filmes que vai realizando. Agora, 4 anos passados desde a sua última longa-metragem, Pequenas Mentiras entre Amigos, Guillaume traz-nos Laços de Sangue, um drama passado nas ruas de Brooklyn, nos anos 70.

Realizado e coescrito por Guillaume Canet, em conjunto com James Gray (Nós Controlamos a Noite), Laços de Sangue é baseado no filme francês de 2008, Les Liens du Sang, e no romance Deux Freres: Flic & Truand.

A História gira em torno de dois irmãos, Clive Owen – recém-saído da prisão e com um passado de violência e Frank (Billy Crudup) – um jovem polícia em ascensão.

Em primeiro lugar, nota-se um esforço por recriar Brooklin dos anos 70, construindo um ambiente visual e sonoro típico da época. Nota-se também a existência de inúmeros planos de camera fixa que funcionam para adensar um ambiente de peep show, em que nós vamos sendo convidados a tirar as nossas ilações sobre que tipo de pessoas são estes dois irmãos.

Depois, durante a primeira metade do filme, mais do que um policial, Laços de Sangue (como o nome indica) parece falar sobre o relacionamento tortuoso entre os irmãos. Para isso, começa como uma página em branco, não nos deixando saber a razão de tanta raiva reprimida entre estes dois. À medida que a obra se desenvolve, vamos percebendo o contexto e, assim, vamos polarizando estes dois irmãos, em lados opostos da justiça.

Certo é que, a partir de determinado ponto, esta questão que parecia fulcral, torna-se secundária, à medida que a narrativa do filme se torna desligada. Entramos então na fase “Guy Ritchie” do filme que, bem ao estilo dos filmes do realizador britânico, como Rock n`rolla, se centra na ação pura e dura. É aqui que somos apresentados a uma sequência de esquemas e cenas repletas de adrenalina, mas completamente alienadas da toada do filme, até então.

Para esse efeito muito contribuem os atores, pois eles próprios parecem estar a representar num filme diferente. Se nada há a apontar à dupla de protagonistas, que têm atuações bastante competentes; de Marion Cottilard não se poderá dizer o mesmo. Recorde-se que Marion e Guillaume Canet são uma dupla de sucesso (à frente e atrás das cameras) do cinema francês, com colaborações constantes entre ambos. No entanto, colocar Marion com uma espécie de sotaque de Brooklin, que às tantas vira um sotaque ainda mais estranho de italiano, não resulta. O que também não resulta é a tentativa de criar uma série de histórias paralelas, não chegando a desenvolver nenhuma, tornando a maioria das personagens subaproveitadas, dando-lhes papeis meramente acessórios. Nesse aspeto, mal se vê Zoe Saldanha, Mila Kunis e James Caan.

Por fim, há ainda tempo para dar um tom Clin Eastwoodiano à obra, que se vira para a temática da redenção, voltando a desligar-se do que se tinha visto até então. Todavia, a sequência final do filme, apesar de não ser a mais original, consegue ser empolgante, isto apesar de glorificar um pouco o anti-herói, dentro do estilo do que acontece em algumas obras de Clint Eastwoon, como Unforgiven.

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