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Minha Linda Lady (My Fair Lady,1964)

My Fair Lady é um clássico intemporal e um título facilmente reconhecível entre gerações e nacionalidades, seja no formato cinematográfico, seja no teatral. Este filme de 1964 tem muitos traços de uma peça de teatro, tais como: cenas em que os atores congelam no lugar, para dar origem a um novo movimento no ecrã. Esta característica particular, apesar de grandemente desnecessária, é um exemplo do que se pode fazer no cinema: efeitos exploratórios de fusão, que podem fornecer uma nova forma de o espetador apreciar a cena.

A história inicia-se quando um especialista em fonética – o Professor Henry Higgins (Rex Harrison), uma personagem erudita e arrogante – repara em Eliza (Audrey Hepburn), uma rapariga comum que fala um inglês vernacular. Este professor propõe-se então a ganhar a aposta de que, em 6 meses, conseguiria fazer com que Eliza fosse a um baile, numa embaixada, e confraternizasse com a alta sociedade e a realeza sem levantar a mínima desconfiança acerca das suas origens.

Os dois actores principais referidos são, sem dúvida, um dos pontos fortes desta obra: individualmente, dominam a atenção e despertam o interesse de cada vez que têm falas; quando contracenam, a dinâmica entre as suas duas personalidades tão distintas causa frequentemente situações de comédia. A inteligência, em muitas das linhas, e a crítica velada que emerge em certos momentos, são a cereja no topo do bolo.

Infelizmente, se há casos em que não se percebe o porquê de se estar a ver um filme no formato de um musical, este é um deles. Apesar de ser uma decisão cinematográfica comum na altura, o fato é que, em My Fair Lady, a componente musical serve apenas para aprofundar sentimentos que já foram expressos anteriormente. Resultado? A sensação de que a componente musical não acrescenta nada e contribui apenas para prolongar o filme.

 Concluindo, My Fair Lady é um clássico que merece ser visto, tem excelentes desempenhos e comédia inteligente muito típica dos filmes desta época. No entanto, quem juntar a coragem para atacar este titã de 170 minutos deve ter em conta que não estará apenas perante piadas e momentos de brilhantismo, mas também perante períodos de simples e brutal não-desenvolvimento.

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