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O Atentado (The Attack, 2012)

O quanto queremos saber sobre aqueles que nos são mais próximos? O novo filme de Ziad Doueiri obriga-nos a enfrentar esta pergunta ao tornar indissociáveis dois temas sensíveis: o amoroso e o político-religioso.

O Dr. Amin Jaafari (Ali Suliman) é um cirurgião palestiniano altamente prestigiado a viver em Tel Aviv. A sua reputação parece defendê-lo do clima hostil da cidade, fruto do conflito israelo-palistiniano e à complexa relação entre árabes e judeus. A vida de Amin sofre uma mudança vertiginosa quando um bombista suicída mata 17 pessoas, precisamente um dia depois da sua mulher Siham (Reymond Amselem) sair de Tel Aviv em viagem. Mais tarde, Amin é detido pela polícia, sendo-lhe posteriormente informado que a sua mulher é a responsável pelo atentado.

Primeiro incrédulo e depois enfurecido, seguimos o desespero do doutor. O Atentado evolui lentamente de um filme quasi-policial – quem fez o atentado?  – para a introespecção de Amin, que procura entender, afinal, com quem viveu durante os últimos quinze anos. Como poderia ele nunca se ter apercebido de nada de estranho na sua companheira? E o que a levou a tornar-se uma mártir?

Embora estas perguntas levem a personagem principal a muitas pessoas e locais, o filme não cai no erro de nos dar uma resposta demasiado directa ou simplificada. Aliás, o filme é corajoso precisamente por não escolher lados, apesar da tragédia óbvia apresentada.

Em termos técnicos, O Atentado ganha força pela qualidade da filmagem, mérito especialmente grande para um filme cujas restrições não devem ter sido poucas – segundo o New York Times, o filme foi banido de todos os países árabes pelo crime de filmar em Israel e com actores israelitas. Por outro lado, foi criticado por sionistas extremos em Israel por mostrar abertamente a opinião do povo palestiniano. O director interpretou as críticas vindas dos dois extremos como prova do não-tendenciosismo político o filme – isto é, não se trata (felizmente) de uma obra propagandista.

Com O Atentado, debatemo-nos com um drama social e um pessoal – embora todos os dramas sociais sejam o condensar de dramas pessoais. O filme é imediatamente relevante por manter o tema israelo-palestiniano em cima da mesa, mas decide acabar com os olhos postos na tragédia pessoal. Será que as relações funcionam devido ao equilíbrio delicado entre aquilo que sabemos sobre o outro e aquilo que não queremos saber? O ensaísta britânico Adam Phillips escreveu uma vez que o mais difícil para qualquer casal é chegar ao nível “certo” de mal-entendidos. Se houver demasiados, suspeitamos que alguma outra pessoa (relação) seria melhor para nós. Se demasiado poucos, caímos na ilusão de achar que conhecemos completamente o outro. E poucas coisas são mais dolorosas que a desilusão.

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