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Seinfeld (1989-1998)

Quando em 1988 Jerry Seinfeld, um conhecido stand-up comedian à data, chegou aos estúdios da NBC apresentando uma sitcom que falava, nas palavras de Jerry, “about nothing”, ninguém iria imaginar o sucesso e o legado que deixaria. Ainda que com os padrões estruturais das sitcoms da altura (tinha os detestáveis risos enlatados), possuía uma narrativa completamente fora do comum, com um estilo de humor entre o situacional, com base na observação do quotidiano, e um toque mais “Woody Allenesco”, muito devido a um dos cocriadores da série, Larry David, que tinha no programa o personagem Contanza como seu alter-ego.

No entanto, o que tornou Seinfeld um sucesso, capaz de mover massas, desde o rapaz com o quarto ano tirado à noite (sem qualquer desprimor para essas pessoas), até ao mais intelectual; deveu-se à capacidade empática dos personagens, que não eram estereótipos, eram hipérboles de personagens reais. Nesse sentido, apesar de ter uma personagem feminina, notava-se que todos os elementos do grupo tinham caraterísticas tipicamente masculinas, principalmente a Elaine.

Julia Louis-Dreyfus era a responsável pela híper-masculina Elaine, que de dona de casa e esposa devota tinha zero. Ao invés, era profundamente misógina, daí só andar com rapazes, e via os homens de uma forma utilitarista (usava-os para o…vocês sabem). Enquanto atriz, ficou irremediavelmente colada à sua personagem icónica. Certo é que tal não a impediu de ser uma das personalidades mais reconhecidas do prime time americano. Isto porque depois de Seinfeld, Julia teve duas séries de méritos reconhecidos, sendo ela a protagonista. Falamos de The New Adventures of Old Christine (programa que durou entre 2006 e 2010 e passou na Fox Life em Portugal) que, como o nome indica, falava nas aventuras de uma mulher de meia-idade, num formato mais kitsch e menos requintado que Seinfeld. Mais recentemente, entre 2012 e 2014, protagonizou Veep, série onde desempenhava o papel de Vice-presidente dos Estados Unidos. Durante esse tempo, foi colecionando nomeações nos Globos de Ouro e nos Emmys pelas suas personagens (ganhou um globo de ouro e quatro Emmys).

Aqui ao lado de Seinfeld, na série.

Aqui ao lado de Seinfeld, na série.

Julia foi capa da Rolling Stone, aos 52 anos. Milf!

Julia foi capa da Rolling Stone, aos 52 anos. Milf!

Michael Richards era Kramer, o personagem só tolerável em doses pequenas que, ao fim de 8 anos começava a irritar. Quanto ao ator, vindo da mesma escola de comédia de Jerry Seinfeld, nunca conseguiu o mesmo protagonismo. Depois de Seinfeld ainda tentou uma carreira a solo e chegou a ter um programa, rapidamente cancelado, chamado The Michael Richards Show. Depois, teve um momento que condicionou e condenou a sua carreira: em 2006 durante um espetáculo de stand up comedy no Laugh Factory, ao deparar-se com dois sujeitos de raça negra que não se calavam durante a sua atuação, decidiu tecer uns comentários que, em algumas culturas (todas menos na neonazi), podem ser interpretados como racistas. Para azar dele, as novas tecnologias são de rápida e fácil difusão e o vídeo foi parar à internet (e agora ao Spoon). Desta forma, e à semelhança de outros atores, como Mel Gibson, as propostas de trabalho diminuíram circunstancialmente.

Aqui ainda tinha trabalho.

Aqui ainda tinha trabalho.

Aqui o que perdeu em emprego, ganhou em cabelos brancos.

Aqui o que perdeu em emprego, ganhou em cabelos brancos.

Jason Alexander era George Contanza, o prolongamento de Larry David na série. Um personagem que era uma espécie de macho alfa, vestido de beta. Alguém que com todas as dúvidas existências e dúvidas metódicas cartesiana, em conjunto com a mania de perseguição, acabava sempre no meio das mais caricatas situações. Para além disso, tinhas as melhores teorias de sempre sobre relacionamentos.

Saindo do personagem, Jason vai mantendo uma carreira prolífica, sem que haja grande destaque. Em 2001 participou na comédia O Amor é cego, com Jack Black. Mais recentemente, em 2009, entrou no filme de fazer chorar as pedras da calçada, Hachiko – Amigo Para Sempre. Na televisão entrou em algumas séries que só tiveram direito a uma temporada antes de serem canceladas. Para além disso, à semelhança da maioria do elenco de Seinfeld, teve algumas participações na série de Larry David, Calma Larry (Curb Your Enthusiasm).

Tomem atenção a esta e a foto seguinte e perguntem-se o que é que está a mais numa delas.

Tomem atenção a esta e a foto seguinte e perguntem-se o que é que está a mais numa delas.

Pois!

Pois!

Fora do espetro dos protagonistas, havia um personagem recorrente que se destacava: o carteiro Newman, interpretado por Wayne Knight – ator que ora faz de gordo, ora faz de obeso, com algumas interpretações de anafado também.

Num estilo de humor próximo de Kramer, que fazia do nonsense o seu trunfo, Newman era um personagem que enchia o ecrã (perceberam?). Quanto ao ator Wayne Knight, entrou em alguns dos filmes mais icónicos dos anos 90: Instinto Fatal (1991), Parque Jurássico (1993) e Space Jam (1999). Em relação a séries, participou no fenómeno de popularidade dos anos 90, que contava com um jovem Joseph Gordon-Levitt, o 3º Calhau a Contar do Sol (1996-2001).

De resto vai aparecendo recorrentemente em algumas séries e em pequenos filmes de pouco destaque. Atualmente é um dos personagens principais da série de 2011, The Exes, que esmiúça a vida de quatro divorciados, à procura de se recomporem.

Ora Gordo.

Ora Gordo.

Ora Anafado.

Ora Anafado.

Quanto a Jerry Seinfeld, que interpretava a sua persona hiperbolizada na série, manteve-se igual a ele próprio. Para além de um competente escritor e um bom stand-up comedian, Jerry é um empreendedor, procurando sempre o projeto certo, na altura certa, o que faz com que não apareça tanto quanto o público gostaria. No cinema, por exemplo, já emprestou a voz a Barry, no filme de animação A História de Uma Abelha (em Portugal a voz era de Nuno Markl).

É também o produtor da versão americana do reality show The Marriage Ref, em que um grupo rotativo de celebridades decide quem ganha numa disputa marital da vida real. O programa começou em 2010 na NBC e por lá continua. Mais recentemente criou a web-series Comedians in Cars Getting Coffee, onde convida os seus amigos para uma viagem num carro clássico e um café, isto, obviamente, acompanhado de uma conversa (se não seria um programa muito chato).

É também engraçado verificar que, à semelhança de muitas das séries que marcaram os anos 90, como Friends, vai se falando de uma possível reunião do elenco original. Reunião essa que já aconteceu, mas só por 90 segundos e não foi mais que um anúncio de minuto e meio, transmitido no último Super Bowl. Nele pudemos ver George, Jerry e Newman no restaurante Tom’s, em Manhattan. O anúncio era afinal uma promoção à terceira temporada da série de Seinfeld, Comedians in Cars Getting Coffee (vejam o vídeo).

Aqui numa foto tirada para Seinfeld

Aqui numa foto tirada para Seinfeld

Foto parecida, mas com umas décadas em cima e com menos cabelo.

Foto parecida, mas com umas décadas em cima e com menos cabelo.

 

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