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Swim Little Fish Swim (2013) – IndieLisboa 2014

Numa sala do Cinema City do Campo Pequeno repleta de gente, em pleno horário de almoço – ou de sobremesa, depende da perspetiva, pois eram 14h30 – deu-se a visualização de Swim Little Fish Swim, uma obra que se inclui da categoria de cinema emergente e é caso para dizer: emergiu talvez uma das surpresas do Indie (vejam o trailer) logo ao segundo dia de festival. O filme ainda será exibido mais duas vezes: dia 27 de Abril e 3 de Maio.

Swim Little Fish Swim é uma obra de 2013, realizada e escrita por Ruben Amar e Lola Bessis, que desde 2013 tem andado a fazer o circuito em vários festivais, já tendo inclusive ganho o prémio de melhor filme em Nova Jersey (e bem o merece, mas já lá iremos).

A primeira cena do filme é presságio do que iremos assistir ao longo da hora e meia de duração: Lilas (Lola Bessis) – uma jovem francesa, que vive na sombra da mãe – vai para a américa em busca do sonho americano, procurando o sucesso enquanto artista. Nesta primeira cena, encontra-se amarrada, enquanto um estranho homem, com uma fisionomia e aparência que anda entre o Jesus Cristo e o sem-abrigo na pré-história, a pinta. Aqui dois traços preponderantes do filme são revelados, a opressão existente na pintura, e o cuidado estético e forte componente ideológica da arte.

Voltando à história, esta centra-se em Lilas e Leeward (Dustin Guy Defa). Leeward é tão pouco ortodoxo quanto o seu nome. Com o que poderia ser visto, aos olhos da sociedade moderna, como um síndrome Peter Man, que se recusa a sair do mundo da ideologia e do amor à arte, sem qualquer utilitarismo da mesma; Leeward apresenta-se como um anticapitalista convicto, que vive para a sua adorável filha Maggie/Rainbow (Olivia Costello) e para a música, enquanto a sua mulher, Mary (Broke Bloom, trabalha como enfermeira para sustentar a família. Os dois são tão incompatíveis em termos ideológicos que, até no nome da filha, diferem: o pai chama-lhe Rainbow, a mãe chama-lhe Maggie. No entanto, algo os mantém a funcionar, ainda que a rutura pareça uma ameaça constante.

O Elenco é mesmo um dos pontos fortes do filme. Aqui a linda Lilas, a pequena Rainbow e Leeward.

O Elenco é mesmo um dos pontos fortes do filme. Aqui a linda Lilas, a pequena Rainbow e Leeward.

É curioso verificar que estas duas personagens representam dois lados da sociedade: de um lado o utilitarismo de Mary, adaptada à sociedade, integrada no capitalismo, que não contesta as regras e só pede a Leeward que ceda um pouco. Do outro lado, Leeward, que não cede a sua integridade artística por nada, ainda que quando se trata da felicidade da sua família, essa sua atitude pareça vacilar.

Aliás, um dos pontos fortes do filme é a crítica à sociedade capitalista que reprime a criatividade e que aqui é desconstruída, através das ironias que apresenta.

Nesta parte existem cenas bastante subtis e com um grande humor subjacente; como na cena em que a obra de um tal Barroccio, que retrata um labirinto cheio de ratos, com uma serpente no meio, é posta em causa artisticamente. A ideia do mais forte sobreviver sempre, enquanto o mais fraco se estingue, é aqui contestada, isto porque a serpente morre quando o rato doente é comido (uma metáfora interessante para a sociedade atual).

Mas, simultaneamente a estas alfinetadas ideológicas, existe também uma ideia principal. Essa prende-se com a importância de dar liberdade a quem amamos, de deixar “nadar” e cometer erros (daí o nome, Swim Little Fish Swim), caso contrário o resultado é a rebeldia. Com a opressão, nasce a reação e é isso mesmo que acontece a Leeward, oprimido pela sua mulher; e Lilas, que vê na sua mãe uma fonte repressora. O final é profundamente revelador disso, havendo uma espécie de Catarse por parte de Lilas.

Importa também reforçar a qualidade estética da obra, desde a arte apresentada, até à magistral fotografia de Brett Jutkiewicz, com um ambiente quase familiar. De realçar também a excelente banda sonora.

É certo que ainda é cedo para ter favoritos, mas, seguramente, este Swim Little Fish Swim irá nadar para bom porto.

Fora do circuito de festivais, Swim Little Fish Swim tem estreia marcada para Junho deste ano (na América, mas talvez chegue a Portugal).

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