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Bestas do Sul Selvagem (Beasts of The Southern Wild, 2012)

Deslumbrante, poderoso, excêntrico e divertido são qualidades que se aplicam ao título Beasts of The Southern Wild (Bestas do Sul Selvagem na versão portuguesa). Apesar do seu reduzido orçamento, traz-nos uma experiência cinematográfica fresca e inovadora sobre um povo que recusa o abandono das suas raízes.

Uma história de sobrevivência contra todas as expetativas.

“The whole universe depends on everything fitting together just right. If one piece busts, even the smallest piece… the entire universe will get busted.”

O filme cria o retrato de uma ilha ficcional, Isle de Charles Doucet, conhecido pelos seus habitantes como The Bathtub. Quando uma tempestade se aproxima e põe em risco a existência desta comunidade selvagem, separada do mundo por uma barragem, o realizador, Benh Zeitlin, oferece-nos duas histórias pelo preço de uma. Através dos olhos infantis de Hushpuppy (Qunvenzhané Wallis) acompanhamos um percurso de crescimento e de conciliação com o medo, refletido na procura incansável da sua mãe desaparecida e materializado nas criaturas (Aurochs) que aparecem em momentos chave do filme. Simultaneamente viajamos com o seu pai, Wink (Dwight Henry), na reivindicação da sua terra e com ele reaprendemos o significado de coragem e amor.

Sem nos darmos conta, estamos a mergulhar cada vez mais fundo nesta banheira. Por um lado, o diálogo é fluído, apropriado à realidade exibida e os silêncios são sem dúvida uma mais-valia; a banda sonora, composta pelo realizador e por Dan Romer, combina na perfeição com o desenrolar da ação; os efeitos visuais, embora inicialmente sejam bastante simples, desdobram-se, a caminho do final, em cenas que demoraram meses a serem realizadas.

Foi inquestionavelmente um dos grandes filmes do ano de 2012 e foi positivamente aclamado de um modo consensual pelos críticos, arrebatando prémios tanto no festival de Sundance como em Cannes. Sucesso devido, sem dúvida, às interpretações fantásticas dos dois atores principais, que sem experiência anterior trazem à vida dois papéis de difícil execução.

Beasts of The Southern Wild é um filme a não perder. Uma ótima oportunidade de reflexão sobre o que é crescer e tudo aquilo que sacrificamos no caminho.

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