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Má Vizinhança (Neighbors, 2014)

 Má Vizinhança é o mais recente filme de Nicholas Stoller e conta com a participação de Seth Rogen, Rose Byrne e Zac Efron. Esta comédia começa por ser algo diferente: tudo aparenta tranquilidade e paz na vida dos Radner, um casal jovem, bem-disposto, apaixonado, com uma filha ainda bebé e casa nos subúrbios – até ao momento em que uma fraternidade universitária se muda para a casa ao lado e toda a estupidez (leia-se comédia) realmente começa. Apesar das tentativas iniciais do casal em lidar de forma “fixe” com os novos vizinhos, a tendência é para uns quererem dormir, enquanto outros querem beber e festejar. Resultado? Conflito a definir a ação até ao final. São 96 minutos de entretenimento decente, com muita da comédia estúpida ao estilo dos filmes American Pie, o que não é necessariamente algo terrível, mas também não se pode dizer que a qualidade e a inteligência sejam abundantes (e há claramente motivos para ter um R na classificação). No fundo, entretém bastante bem o espectador, e como ninguém no seu juízo perfeito tem a expectativa de ver uma obra de arte, não é provável que vá desiludir.

Os atores principais têm um desempenho sólido e – por muito que custe admitir – até Zac Efron parece ter feito alguns melhoramentos na sua capacidade de atuar. Apesar disso, continua a aparecer de tronco nu em diversos planos e repete expressões faciais sem significado até ao infinito.

Tecnicamente, o filme está bastante bem feito: planos de câmara, som, banda sonora, tudo cria um ambiente congruente que diverte o espectador e acompanha bem a atuação do elenco. No entanto, há algo diferente em Má Vizinhança. O filme acaba por não ficar satisfeito em ser simplesmente estúpido nas suas piadas e no que move todas as pequenas peças – no fundo, tenta passar uma história acerca de crescer e fá-lo expondo o contraste entre a total irresponsabilidade universitária e os pais ainda jovens que tentam construir uma família. Esta divergência de atitudes, por mais comédia que tenha à mistura, acaba por ser central. E se os membros da fraternidade só querem mesmo divertir-se e fazer porcaria (na sua maioria), já os Radner entram nesta guerra à procura de mais do que uma vitória: surge diversas vezes a ideia de que o querem fazer para se sentirem de novo jovens, como se eles próprios enfrentassem um conflito de crescimento. Ou não. O filme pode ser mesmo só uma comédia e o Spoon, como muitos pseudo-intelectuais, não consegue simplesmente rir-se da estupidez hilariante que há em cada cena.

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