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O início dos realizadores: Christopher Nolan e Steven Spielberg

Todos teremos realizadores preferidos, aliás, até os próprios realizadores têm realizadores preferidos – por exemplo Michael Bay adora Michael Bay, e é o único.

No entanto, um realizador de filmes, é também (espantem-se) um ser humano normal, não tendo nascido propriamente com uma camera na mão – o que teria sido extremamente doloroso para a mãe.

Como na maioria dos casos, tudo começa com uma curta-metragem. Depois é história.

Por hoje, será interessante comparar dois realizadores de épocas diferentes, ambos prolíficos na atualidade, e que, apesar da metodologia bem distinta, têm grande sucesso com as massas: Christopher Nolan e Steven Spielberg (atenção que o nome de Christopher apareceu primeiro por questões alfabéticas).

Christopher Nolan é o rei do Twist (não na dança, mas no cinema, no twist dança é o John Travolta o rei) dando compulsivas piruetas com saltos mortais à retaguarda, em todos os seus filmes. Desconstruindo as narrativas e criando personagens atormentadas – isso é caraterística transversal a toda a sua obra, desde Memento, que o lançou para o estrelato, até Inception que o consagrou. Mais, Nolan tem a capacidade de conseguir aumentar a autoestima à população mundial, pois toda a plateia sai da sala de cinema a achar-se inteligente. Isto porque conseguem perceber e desvendar um filme, que eles têm como intelectual, com uma mestria, que para eles, só é comparável à de um super computador (não queremos entrar em pormenores, mas não, nem toda a gente do mundo é inteligente).

Certo é que existe uma preocupação com o argumento e um interesse em surpreender e enganar (no bom sentido) a audiência em toda a sua filmografia. Nolan conseguiu, por exemplo, humanizar a figura do super-herói, na trilogia de Batman, tornando Batman uma personagem com o qual o público se poderia relacionar. Para além disso, todas as suas obras impõem um ritmo que, independentemente da duração, não deixam ninguém a bocejar. Conseguir fazer isso tudo e, ainda assim, criar blockbuster atrás de blockbuster, sempre com sucesso na crítica e na bilheteira, é de mestre.

No entanto, e como na maioria dos mestres, a sua carreira teve início na escola. Neste caso, Nolan era aluno do curso de literatura na Universidade de Londres. Mas o seu interesse não eram só livros, por isso, era também o presidente do grupo de cinema dessa Universidade. A escolha dessa instituição teve que ver com o equipamento que tinham à disposição dos alunos, para que eles se pudessem expressar artisticamente. Foi assim que nasceu uma das primeiras obras de Christopher Nolan, uma curta-metragem de 3 minutos chamada Doodlebug (1997).

O estilo “mind-fuck” desta curta é inconfundível, deixando antecipar as suas futuras obras.

Aqui, um homem atormentado e paranoico, fechado num espaço minúsculo, o que adensa a claustrofobia desta obra, procura matar o “bicho” que o atormenta – ele próprio. O homem atormentado acaba por ser a imagem de marca “Nolaniana” em todos os filmes subsequentes.

 Steven Spilberg é uma espécie de Dumbledore do Harry Potter. Morre o ator, substitui-se por outro e ninguém parece notar; a obra dele é exatamente assim: altera o tema, mantém a fórmula, ninguém repara, e o sucesso é o mesmo.

Já Kubrick dizia em relação a um dos filmes de Spielberg, A Lista de Schindler:  “O problema da Lista de Schindler é que é um filme a falar sobre sucesso, quando o Holocausto é sobre fracasso”. E é isso mesmo de que trata a obra de Spielberg, de finais felizes e sucessos, para que a plateia possa bater palmas e sair em debandada dizendo que viu o melhor filme de sempre.

Bem, se a mestria de Spielberg não é discutível – é factualmente e fatalmente um brilhante realizador – os seus finais felizes podem ser questionáveis, mas isso será o público e o tempo que decidirão.

Quanto à sua génese, teve raízes na Universidade da Califórnia – onde George Lucas também estudou – e mais tarde decidiu ir trabalhar por amor à arte (isto quer dizer, sem receber um “tusto”) para os estúdios da Universal. Durante essa época criou a sua primeira obra, a curta-metragem Amblin(1968), que o levou a desistir da universidade. A história foca um casal de namorados hippies que viaja à boleia desde o sul da Califórnia, até ao oceano pacífico.

A sorte de Spielberg começou a mudar quando Sid Sheinberg, na altura vice-presidente da Universal, viu a curta, gostou e assinou um contrato de sete anos com ele. O jovem Steven, com 23 anos na altura, tornava-se assim no realizador mais novo de sempre com um contrato de longa duração com aquele estúdio. Mais tarde, haveria de criar a sua própria produtora de filmes, e chamar-lhe Amblin, em homenagem à sua primeira obra.

Três óscares depois e com dezenas de blockbusters concluídos, será interessante espreitar como começou.

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