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Quarto 13 (The Bag Man, 2014)

Numa descrição muito simplista mas nem por isso menos acertada, The Bag Man ou Quarto 13 é um jogo. John Cusack é o jogador incauto: Jack, um assassino competente e implacável mas não completamente desprovido de piedade e sentimentos. Ao serviço de Dragna, deverá completar uma tarefa, à partida, muito simples: recolher um saco e entregá-lo. Em troca receberá milhões. A única contrapartida é que não pode olhar para dentro do saco sob que circunstância for. Nem uma espreitadela acidental, uma olhadinha inocente, nada!

Assim começa o jogo. É só imaginar a personagem principal com o seu boné de Memphis, a mão ensanguentada e o saco misterioso por apêndice, num motel manhoso no meio de nenhures, à espera, por tempo indefinido, de Dragna.

“Espera aí! Mão ensanguentada?”

Sim, é verdade. Não seria um jogo sem adversários. A tarefa revelou-se mais complexa do que aparentava já que em redor do motel isolado circulam vários pretendentes ao saco, inimigos do seu portador, que parecem saber muito mais do que Jack sobre o que realmente se passa. E nenhum está disposto a dar justificações; é só disparar e pegar no troféu. A missão acaba de receber um upgrade: além de proteger a encomenda, o jogador deve superar a vaga de contrariedades lançada sobre si e manter-se vivo até que Dragna se digne a aparecer.

Entretanto, surge uma femme fatale, uma mulher escultural e misteriosa que procura refúgio no quarto de Jack. Parece ser apenas uma prostituta com azar, frágil e aflita, mas Rivka começa a fazer perguntas, demasiadas perguntas e demasiado certeiras. A química entre esta mulher de lábios lascivos e o hitman sente-se logo ao primeiro encontro e adensa-se de forma complicar ainda mais as jogadas de Jack.

É sempre o mesmo com estes filmes enigmáticos que nos prendem com personagens dúbias, vilões escondidos e jogadas e reviravoltas inesperadas: são desleais e muito rapidamente todo o mistério e inteligência estratégica resvalam para o romantismo dramático.

Ainda assim, The Bag Man não deixa de ser cativante. É um filme que, apesar das frequentes cenas de ação e tiroteios, consegue alguma intensidade pelo excelente trabalho feito à frente e atrás das câmaras.

John Cusack é irrepreensível no papel do assassino com passado negro e um toque de humanidade. Robert De Niro, muito igual a si mesmo, interpreta Dragna, um chefão do crime com ares de intelectual, que se fartou do xadrez de tabuleiro e decidiu transferir os jogos de estratégia para a vida real. Rebecca da Costa, atriz brasileira que parece a versão mais nova de Sofia Vergara, dá vida à misteriosa prostituta de sotaque sedutor. Crispin Glover, o tipo sinistro com um fetiche por madeixas de cabelo de Anjos de Charlie, é o fantasticamente sinistro e peculiar gerente do motel. Dominic Purcell faz concorrência com Morgan Freeman, embalando-nos com a voz grave e serena do xerife Larson, que por trás do aspecto paternal, óculos de armação exageradamente larga e barba por fazer, esconde uma agressividade e ambição sem escrúpulos.

Do outro lado, o realizador e co-argumentista, David Grovic, consegue orquestrar uma composição de diálogos simples e claros mas apelativos, num ambiente marcadamente negro, fazendo um uso excelente da iluminação e som para destacar as cenas chave e o impacto dos acontecimentos. The Bag Man torna-se assim num thriller intenso e levemente sedutor em vez de um amontoado de explosões, tiros e pancadaria; um filme noir com algumas inovações no tom habitual do género, com sentido de humor, personagens pouco convencionais e uma contenção inteligente no uso da violência, causando mais impacto quando surge.

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