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Hansel & Gretel: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, 2013)

Cinema Trash acontece sempre que se pega em duas personagens do universo infantil e se as transforma em assassinos. Um desastre natural em potência, torna-se deleite para quem gosta de ver o mal dos outros.

Nesta obra, Hansel e Gretel (Jeremy Renner e Gemma Arterton, respectivamente), são dois irmãos que perdidos na floresta vão dar a uma casa feita de doces – até aqui a premissa é igual ao conto original. Depois, é vê-los matar a bruxa principal e todas as outras secundárias que se lhes metem pela frente, sempre em cenas de morte a carregar no botão “gore”. Aqui torna-se importante fazer a primeira ressalva a um pormenor do filme, Hansel, de comer tantos doces na casa da bruxa, torna-se diabético (ou como lhe chamam, sofre da “doença do açúcar”).

A partir daqui temos bruxas com a maquilhagem do filme The Grudge, cenas de morte ridículas e um ogre chamado Edward (o nome do ogre é uma das coisas que, inusitadamente, provoca risos). Quanto às partes de aligeirar a acção e dar um tom de comédia ao filme couberam-se, adivinhe-se, ao “sem expressão” Hansel, que até teve direito a um romance relâmpago, com direito a mostragem de seios – infelizmente não os da Gretel.

Assim parece a descrição de um filme de série B, não é? A verdade é que se este se tivesse assumido como de série B (do género Machete), isso até poderia ter funcionado melhor. A questão aqui é que o filme deambulou entre o pitoresco e a temática excessivamente séria, que envolvia a infância trágica dos irmãos. Ora, o facto de nunca se ter assumido nem uma paródia, nem um filme de terror, nem um filme sério, transformou-o, com naturalidade, num desastre, num trash com um monóculo semi pretensioso (imagine-se um Jorge Jesus com um fato armani e é essa a imagem que poderá ser representativa desta obra).

Aqui, ainda há que criticar o facto de ser publicidade enganosa, pois todos os posters mostravam Gretel com proeminentes decotes, típicos deste género de produções, sendo que o resultado é, no mínimo, desolador (nem um mamilo!).

Apesar dos pesares, houve uma actriz que se destacou, até porque pareceu ser a única que estava empenhada no filme. Famke Janssen cumpre muito bem no seu papel de grã-bruxa e acaba por ser a única que consegue prender, ainda que momentaneamente, a atenção de quem vê o filme – parecendo até que achava o argumento credível; pobre coitada.

Este não será um exemplo do filme trash perfeito, ainda assim, é sempre engraçado quando se quer fazer um filme sério e sai isto.

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