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X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, 2009)

Com o filme X-Men: Confronto Final, entramos num impasse: estaria a saga destinada a morrer, ou seria possível reavivá-la?

Quando uma história principal deixa de funcionar, criam-se spin-offs, utilizando os personagens mais carismáticos, para recuperar o brio perdido. A escolha aqui recaiu sobre o carismático, mas não tão forte quanto os outros, Wolverine (Hugh Jackman).

Uma coisa transversal a todos os filmes destes mutantes é que Wolverine a) apaixona-se por uma mulher ; b) fica sem a mulher no final do filme; c) vinga-se sempre de alguma coisa.

Pegando nesses predicados, nada faria mais sentido do que contar uma história com todos os clichés de super-heróis.

Wolverine, ou melhor, Logan ainda criança, no séc. XIX, é obrigado a fugir de casa depois de matar, aquele que se revelaria tragicamente seu pai. Nessa situação, um Logan que aparentemente estava doente, rapidamente deixa de o estar, tendo ossos a saírem-lhe pelas mãos, numa versão pré-adamantium. Ao seu lado surge Victor (Liev Schreiber), o seu irmão igualmente mutante, mas com um lado tendencialmente mais negro. Juntos ultrapassam a Guerra Civil, e a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, sempre com a aparência de trinta e poucos anos. Finalmente, criam uma espécie de esquadrão classe A de mutantes – da qual fazem parte Ryan Reynolds e Will I Am –  comandados pelo Coronel Stryker (Danny Huston), que já tinha surgido (uns anos mais velho) no segundo capítulo da saga. Depois de tudo correr mal, decidem – o que se revela uma péssima ideia – tornar Wolverine, que é considerado um “animal selvagem”, num mutante indestrutível. Injetando o seu corpo com o famoso Adamantium. Obviamente corre tudo pessimamente.

Depois, já durante a, mais que perspetivada, fuga, encontra um casal de velhinhos, em tudo similares ao Sr. e Sra. Kent, ou ao Tio Ben e a Tia May, o que nos faz aguardar pela famosa mordida da aranha (esperem, isso é noutro filme!).

De seguida, chegando ao destino final (que, para fazer jus aos clichés de super-heróis é uma ilha escondida) somos bombardeados com efeitos especiais, incontáveis mutantes e Gambit (Taylor Kitsch) – que tem uma fugaz, mas marcante participação, sendo o melhor do filme.

Desta vez há um abuso nos efeitos especiais e um carregar excessivo nas cenas de ação, deixando a história para segundo plano, não explorando todo aquele sofrimento que torna Wolverine mais humano que animal. Em vez disso tornam-no um bebé chorão/mutante que, por vezes, anda em slow-motion com labaredas de fogo a sairem-lhe de trás das costas.

Gavin Hood, um realizador experiente em filmes de ação, consegue filmar com mestria as sequências de luta, criando por vezes uma Mise en scène embrenhada em adrenalina, mas que abusa dos efeitos especiais, num personagem que usa primordialmente a bela e antiga “tareia”, para resolver os seus diferendos. Ainda assim entretém, mas deixa o enredo para segundo plano, acabando por não contar nenhuma história.

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