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O Dia da Violência (Bloody Mama, 1970)

Quentin Tarantino é um amante de Trash cinema. A hiperviolência, a perversidade sexual, o fetichismo presente em muitos filmes do género, tudo vai ao encontro da psicose cinematográfica desenvolvida desde sempre por Tarantino (um assumido podólatra).

Reservoir Dogs – o primeiro filme do realizadormarcou a sua estreia nos meandros trash e uma das suas maiores influências foi o filme de série B, Bloody Mama (O Dia da Violência, na versão portuguesa).

Bloody Mama (trash desde os pés até a cabeça) tinha Shelley Winters (uma diva já na fase descendente da sua carreira) como cabeça de cartaz, numa obra realizada por Roger Corman – uma figura proeminente nos filmes deste género.

Shelley desempenha Ma Baker, a matriarca da família com uma forte apetência para o sadismo e para o quase-incesto. Ma Baker munia-se dos seus 4 filhos campónios sulistas para semear o horror durante o período de grande depressão americano (década de 30), mas ao contrário de outros anti-heróis como John Dillinger, ninguém sentirá a mínima simpatia por esta trupe.

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Como não podia deixar de ser, todos os filhos tinham as suas particularidades: um sociopata que levou a sua namorada prostituta para ir viver no seio do clã; um bissexual que leva o seu colega de cela/namorado para ir viver lá para casa (o seu parceiro amoroso era interpretado por um jovem Bruce Dern), havendo ainda espaço para um viciado em heroína (um “desconhecido” chamado Robert De Niro).

Os ingredientes são simples: a história hiperviolenta sem grandes contornos; a exploração sexual evidente; a gratuitidade das atrocidades, bastante explícitas; e metralhadoras, muitas metralhadoras. A última sequência de ação quase que faz lembrar Scarface mas, mais uma vez, todas estas personagens são tão odiáveis que o que nos liga ao filme não é a empatia (se for, consultem o vosso psicólogo rapidamente). Aquilo que nos “cativa” é a perversidade inerente. Queremos ver sangue, e queremos ver uma senhora de meia-idade disparar balas em cheio na testa de qualquer um que lhe faça frente. Tudo o resto é secundário, aqui tudo é um bónus e nada é necessário: temos nudismo, incesto, sangue, Robert De Niro com um ar angelical e Shelley Winters, que mais parece estar a representar na Broadway, tal é o bracejar e o tom “teatral” que dá à sua personagem.

Quentin Tarantino bem pode agradecer a filmes como estes a sua veia série B bastante vincada em todos os seus filmes. Ámen!

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