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Entrevista a José Chaiça, um dos Directores do Festival Cortex

José Chaiça é em conjunto com Michel Simeão, o criador do Festival Cortex, e um dos grandes “culpados” da sua qualidade. Ao fim de cinco anos, os resultados estão à vista. Para além de que este festival começa a ser a prova, que há mais vida para além de Lisboa e Porto, no que toca à sétima Arte. Até 15 de Fevereiro Sintra foi o centro do cinema em Portugal.

Assim que o Córtex terminar vou começar a trabalhar na preparação de algumas extensões do festival que pretendo fazer, levando parte do Córtex para outras cidades.

Nuno Pereira – Porquê realizar um Festival em Sintra e não noutra cidade, como por exemplo Lisboa? Alguma vez pensou em Mudar a localização deste certame?

José Chaiça – A Associação Cultural Reflexo, está sedeada em Sintra há quase 8 anos e apesar de produzirmos muita cultura um pouco por todo o país, fez todo o sentido para nós organizar este evento em Sintra. Primeiro porque enquanto pano de fundo para festival de cinema é um local absolutamente perfeito, depois porque em Sintra nunca tinha havido nenhum evento cultural cinematográfico o que era uma lacuna muito grande, ainda para mais quando temos um Centro Cultural belíssimo para o fazer. Lisboa está completamente apinhada de festivais de cinema, praticamente todos os meses temos festivais na capital, pareceu-nos muito mais interessante descentralizar o evento e conferir-lhe o charme e carisma únicos de Sintra, o que não quer dizer que não tenhamos interesse em fazer durante o ano extensões do festival por outras cidades, inclusivamente, Lisboa.

 

NP – O que o levou inicialmente a ter a ideia para este festival?

JC – Enquanto criadores de produtos culturais, na Reflexo estamos sempre à procura de poder criar novas ofertas e o Córtex foi sem dúvida, como já referi anteriormente, um evento cultural que veio ocupar em Sintra um espaço vazio, para além de esporádicas sessões de cinema no Centro Cultural Olga Cadaval, não existia nenhuma plataforma  que levasse o cinema até Sintra.

 

NP – Porquê um festival só de curtas-metragens?

JC – Porque mais uma vez era um espaço que estava por ocupar. Por incrível que pareça com tanto festival que existe em Lisboa, não existia até ao aparecimento do Córtex, nenhum festival na zona da grande Lisboa, dedicado exclusivamente ao formato da curta-metragem. E depois porque a curta metragem na maioria das vezes é a ferramenta de inicio de carreira de muitos realizadores, e para nós faz todo o sentido darmos  foco e  impulso a quem está a começar. Em Portugal uma das muitas graves falhas ao nível dos apoios para a cultura é não existirem plataformas que apoiem os que estão a dar os primeiros passos. Os grandes organismos que apoiam a cultura obrigam sempre que haja toda uma estrutura pesada montada, basta olhar para as candidaturas da Dgartes  ou do ICA, sem essa estrutura é impossível sequer preencher as candidaturas. Para quem quer começar em Portugal é sempre complicado, tens de te provar muito até teres direito a meia dúzia de tostões.

 

NP – Quais são os critérios para selecionar uma curta para passar no Festival Córtex?

JC – O principal critério é vestir a pele do público. Não queremos de todo fazer um festival apenas para o nicho dos frequentadores de festivais e cinéfilos. Queremos contrariar essa tendência e fazer um festival com o qual o comum espectador de cinema se consiga identificar. Daí a premissa serem filmes de qualidade sim, mas que tenham a capacidade de  comunicar com todos. Tentamos também ser bastante ecléticos e oferecer uma programação variada com diferentes géneros: documentário, ficção, animação, experimentalismo, etc.

 

NP – Quais eram as suas expectativas em termos de adesão do Público para este ano?

JC – Altas. A comunicação do festival tem sido bastante forte, o interesse que tem havido à volta das estreias dos filmes do Lars von Trier e da programação paralela no MUSA tem evidenciado uma clara tendência para um crescimento.

 

Lars Von Trier esteve em destaque na programação do certame.

Lars Von Trier esteve em destaque na programação do certame.

NP – Aos quatro anos uma criança já fala e anda, aos 5 entra para a pré-primária. O que esperava conseguir este ano, que ainda não tenha conseguido nos anos anteriores?

JC – A constatação de que o Córtex é um evento de cinema imprescindível e incontornável a nível nacional.

 

NP – Fora do âmbito Córtex, que outros projetos profissionais tem em carteira?

JC – Assim que o Córtex terminar vou começar a trabalhar na preparação de algumas extensões do festival que pretendo fazer, levando parte do Córtex para outras cidades. Estou já em fase de pré produção de um outro grande evento criado pelo meu parceiro na direção do Festival, Michel Simeão, que se chama Projecto Casa Assombrada e que vai dar muito que falar em breve.

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