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Os Vingadores: A Era de Ultron (The Avengers: The Age of Ultron, 2015)

Joss Whedon é um realizador/argumentista capaz de pôr o seu cunho em tudo aquilo que faz, seja em produções pequenas – Dr. Horrible´s sing along blog (2008) – como na super-produção Avengers. No entanto, até que ponto se é livre tendo a máquina Disney/Marvel por trás de nós a bafejar sofregamente para as nossas costas, como se fossemos um prisioneiro na hora do duche?

Pois bem, o primeiro Avengers, explicou um pouco essa ideia: efetivamente era um filme de super-heróis megalómano, com todas aquelas explosões masculinas, para mostrar quem é que manda (Resposta: a Disney, porque detém a Lucasfilms). Não obstante, era um filme de super-heróis, com o sentido de humor “Whedoniano” e isso é dizer muito…

Depois do sucesso do primeiro capítulo, surge este Age of Ultron, e junto traz um dos maiores vilões da Marvel, Ultron: a inteligência artificial transformada em máquina, com intenções questionáveis. James Spader foi o ator escolhido para dar corpo (aliás, voz) a esta personagem, e a verdade é que foi bem-sucedido. Ao contrário de muitos dos “mauzões” da Marvel, este conseguiu causar impacto, acabando por ser a personagem mais aprofundada neste capítulo.

De resto, tudo pareceu ser mais do mesmo, e como tudo o que é semelhante, não acrescenta nada.

Do elenco, talvez o Hawkeye (Jeremy Renner) tenha tido algum desenvolvimento, mas – mais por culpa de Jeremy Renner – essa evolução não empolgou ninguém.

Às piadas normais que envolvem o Hulk a esmagar, a ironia de Tony Stark e às boas maneiras do Capitão América, acrescentou-se um romance entre a Black Widow (Scarlett Johansson) e o Hulk (não o Hulk, mas Bruce Banner, a sua forma humana, caso contrário, uma cena de cama entre estes dois seria no mínimo curiosa de ver).

Ao normal e expectável juntou-se um Quick-Silver (Aaron Taylor-Johnson) insonso e desnecessário e a sua irmã gemea, Wanda Maximoff, uma jovem com poderes telecinéticos que, só não passa ao lado do filme, porque tem Elizabeth Olson a interpretá-la. As poucas vezes que lhe é dada oportunidade de brilhar, ela fá-lo eficazmente, com o seu ar melancólico e suave, perfeito para a personagem que construiu. Por ela valerá a pena ir ver o próximo capítulo.

O que este filme acaba por ter de pior, é quando muda o seu posicionamento e deixa de ser um filme de super-heróis, em prol de uma filosofia pró-américa (eles são bons, o resto é mau) e de um tom moralista sobre o futuro da humanidade, algo que não pega, quando a decidir o futuro da humanidade está um tipo com um arco e flechas e um sapo cocas com esteróides.

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No fundo, são pouco mais de 2h que passam efetivamente rápido, com uma boa dose de humor, e com alguns atores em bom plano, fica todavia aquém do primeiro, não acrescentando nada de novo, e tentando ser mais do que um filme de super-heróis, o que é terreno movediço e perigoso, entrando (como foi o caso) em rota de colisão com um meteorito chamado “Cliché”.

O filme tem estreia comercial marcada para  a próxima quinta-feira dia 30 de abril nos cinemas em Portugal.

PS – Alguém me explica como é que o Hulk perde sempre a compostura, mas nunca perde as calças?

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