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Mad Max: A Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015)

Para a geração que acompanhou os três Mad Max na década de 80 (o primeiro data de 1979), este nome ostenta muita responsabilidade. Talvez por isso só George Miller, um expert em Mad Max (realizou os três filmes), poderia acalmar os fãs antes de uma potencialmente desastrosa continuação da saga.

Com a sua estreia em Cannes e os custos de produção estimados em cem milhões de dólares, Mad Max: A Estrada da Fúria terá mesmo de ser um tiro certeiro.

Após ver esta nova abordagem, o sabor que fica depende da forma como enquadramos as expectativas em relação ao filme. Se pretendíamos ver alguma crítica social profunda sobre o caminho para o abismo a que caminha a civilização, então estarão a levar o filme demasiado a sério. Talvez o primeiro Mad Max tenha tido algumas pretensões a esse nível, mas este “rebenta” literalmente com todas as filosofias que possam estar à espera.

Por outro lado, se a ideia é uma boa dose de série B, mas feito com recursos de série A, então meus caros, este é o derradeiro filme de série B do ano.

A história segue Max (Tom Hardy), num mundo pós-apocalíptico, onde juntamente com Furiosa (Charlize Theron) se rebelam em busca de um mundo melhor. Depois, a narrativa aposta em duas vias: a ida – em que o camião ruma a eito até ao infinito; e a volta, onde o camião faz inversão de marcha e volta atrás.

É muito difícil explicar como é que uma premissa destas pode ter sumo, e isso apenas significa que efetivamente não o tem. Mas o que não tem em história – nem precisa – tem em explosões, situações ridículas, cenas de ação, e (novamente) mais explosões.

Acontece tanta coisa ao mesmo tempo, que até o diálogo foi posto para segundo plano – Tom Hardy é tão estruturado e eloquente quanto John Rambo, e Furiosa, limita-se a ser furiosa.

Obviamente, há sempre tempo e espaço para alguns clichés absurdos, mas até essas situações são tão caricatas que acabam por ser divertidas – mais uma vez, desde que não levem o filme a sério.

Depois de duas horas de testosterona, difícil será respirar, e muito por culpa da magistral banda-sonora de Junkie XL, que procura intensificar o nível gráfico de cada cena recorrendo a melodias megalómanas que nos farão saltar do lugar.

No geral, Mad Max: A Estrada da Fúria é um filme que não desprestigia a virilidade dos predecessores, e que eleva a testosterona a um nível onde não existe quase palavras. Se isso torna o filme bom? Depende da forma como o enquadramos e o que procuramos encontrar.

Mad Max: A Estrada da Fúria é uma obra que leva a sério a ideia de não se levar a sério

PS – Contem quantas palavras o Tom Hardy diz!

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