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What We Do in the Shadows (2014) – Os melhores do MOTELx

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Desde Bram Stoker a Stephenie Meyer, muitos já se atreveram a escrever sobre estas criaturas sobrenaturais. Desde Nosferatu, que filmes também não faltam. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e mesmo assim todas estas histórias convergem em seres de capa negra, enraivecidos e enclausurados nos seus castelos. Como todos sabemos, julgar o livro pela capa é muito feio. Nem todos os chupistas são assim; Viago (379 anos de idade), Deacon (183 translações ao sol), Vladislav (862 primaveras) e Petyr (2000 jogos olímpicos) escolhem a modesta vida nos subúrbios, partilhando um apartamento em Wellington, Nova Zelândia.

Sem familiares ou amigos vivos para os convidar a frequentar os clubes mais badalados da cidade, estes vampiros parecem ter perdido o contacto com a cena actual. Será que estes colegas de casa conseguem ultrapassar os seus conflitos e adaptar-se à sociedade moderna?

Taika Waititi e Jemaine Clement, já parceiros de longa data nestas andanças, partilham a escrita, a realização e a actuação neste fabuloso mockumentary que se fez esgotar no MOTELx e pôs a plateia a rir histericamente de início ao fim.

Muitas comédias têm gostado de se rotular como “dark”, esquecendo-se de uma grande máxima do mundo do espectáculo “dark is easy, fun is hard”. What We Do in the Shadows é a melhor comédia do ano e criou bastante atrito a tentar sair de Hollywood porque o plot “não era apelativo”. Assim, sem apoio da grande industria e utilizando os amigos como actores, o filme foi muito bem recebido. Tal como os seus filmes no geral, têm tido um sucesso estrondoso (nomeações para grammy’s e oscar’s).

A dupla de realização conhece bem os “deslocados”. Explorou-os com mestria nos filmes “Eagle vs Shark” “Boy”. Enquanto se vai explorando, de olhos lavados, esta trupe de vampiros, vão-nos sendo dadas, em simultâneo, uns “insights” mordazes às fragilidades do humanos. Se à medida que crescemos, fica cada vez mais fácil ficarmos presos nos nossos conflitos, então mais é assim ainda para estes vampiros, que em vez de contarem a idade em décadas, contam em séculos.

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O filme é acompanhado por uma deliciosa e mexida banda sonora que recorda um pouco o ambiente do também cómico “Vampiros en La Habana!”.

 

Desde o primeiro minutos que somos seduzidos pelas personagem cheias de carácter. Cada uma tem a sua individualidade e os desafios. Viago enfrenta o clássico dilema da imortalidade; a sua amada envelheceu sem ele; Vladislav tem que enfrentar a besta do seu passado; Deacon, inconformista com a nova geração, recusa-se a aceitar que a sua juventude está a escapar.

Seria muito fácil tomar como garantido aquilo que os criadores de What We Do in the Shadows fazem magistralmente. A química do grupo não pode ser sobrevalorizada. Nada no filme parece fora de contexto – nem os polícias confusos, nem o grupo de lobisomens comandados pelo alpha male Rhys Darby.

Hilariante de início ao fim.

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Quando quase cuspimos todo o refrigerante contido na cavidade bocal para a nuca do sujeito imediatamente à nossa frente, normalmente é um bom indicativo de qualidade para um filme de comédia. Aqui estou mesmo a tentar não revelar todas as gags (que são contínuas e com contínua piada) porque senão relataria aqui praticamente todo o filme. O filme mantêm uma camada de humor ao longo de todas as cenas e de palmo a palmo cria picos altíssimos de gargalhada com piadas brilhantes.

Deacon: I think we drink virgin blood because it sounds cool.

Vladislav: I think of it like this. If you are going to eat a sandwich, you would enjoy it more if you knew no one had fucked it.

 

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