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O Spoon foi ao LEFF #1 – Wim Wenders: O Estado das Coisas (1982)

Já começou mais uma edição do Lisbon & Estoril Film Festival, em sessões espalhadas por Lisboa e pelo Estoril (como o nome deixaria antever) – consultem o programa aqui.

Como não poderia deixar de ser, para além do farfalhudo bigode de Paulo Branco (uma entidade que existe por si só), também o Spoon não poderia faltar a tão distinto certame.

Para além das competições, também estão a decorrer várias retrospetivas, das quais destaco a de Wim Wenders (conhecido realizador de Paris, Texas), por questões de não-imparcialidade no que toca ao meu gosto.

Para dar o mote, o spoon estreou-se a ver um filme de Wenders, datado de 1982, O Estado das Coisas (Der Stand der Dinge), e aqui começam as dificuldades. Se criticar Adam Sandler´s desta vida é fácil, quando toca a realizadores que admiramos, temos o temor de não ter percebido a mensagem, e daí a mensagem não ter chegado.

Então simplifiquemos: Para quem vos escreve, há dois tipos de filmes: a) Os que contam estórias, e b) os que retratam realidades. Infelizmente, O Estado das Coisas, entra na categoria c) aqueles níveis escondidos dos videojogos, com um boss ultra-secreto que só se alcança com password ultra-especial: o também chamado pretensiosismo de merda.

A narrativa, filmada entre Sintra e Nova Iorque, centra-se numa Equipa de filmagens que se vê sem budget para terminar um filme, e então passa-se a seguir individualmente cada um dos personagens, com as suas diferentes filosofias de vida.

A obsessão pela estética, e pelos enquadramentos perfeitos em cada cena desta obra (a preto e branco), é algo de valorar, e que tem o seu prolongamento através de alguns dos personagens da própria obra, que padecem da mesma obsessão visual.

Porém a filosofia barata (exacerbada na última cena), e a repetitiva mensagem de que os filmes falam sobre “morte”, só não são a coisa mais desnecessária do filme, porque nos entretantos entra a banda sonora, sempre igual, sempre anticlimática, e a fazer lembrar os carrinhos de choque nas feiras, e o instrumental dos teclados, ao nível de uma canção dos Trio Odemira.

Pondo tudo isto de parte, virtuosismo é virtuosismo, e ainda que a narrativa seja “pointless”, é uma obra onde se nota uma sobre-preocupação  com todos os pormenores, o que pode significar que, há boa maneira de Scolari: “E o burro sou eu?”. Se calhar sou…

Felizmente, até domingo dia 15 há mais festival. Apareçam!!

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