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Creed: O Legado de Rocky, 2015

Não é necessário ser versado nos originais, e múltiplas, “Rocky” para apreciar “Creed”, mas para aqueles que têm seguido as façanhas do boxer da Filadélfia de Stallone, o mais recente filme de Ryan Coogler paga-lhe, inesperadamente, ricos dividendos emocionais. “Creed” é tão parecido com o filme de 1976 que nos apresentou a Rocky Balboa que sinto que também os recém-chegados à saga se vão perder da amores por “Creed” da mesma forma como os espectadores (e o Nuno) se apaixonaram pelo “Rocky”‘ há 40 anos. Apesar do filme de 2006, “Rocky Balboa” , ter sido um capítulo final digno para o seu herói titular, “Creed” encontra mais da sua história para explorar. No processo, o filme lembra-nos que, empregue o realizador certo, Sylvester Stallone pode ser um actor, vá, “bom”.

A história de Coogler, co-escrita com Aaron Covington, descaradamente vai ao baú do original. Há o boxer humilde, o seu mentor e uma mulher que se torna sua sua companheira e a sua rock(y) de apoio (badumtss). Pode ser de fácil previsão, mas isso não diminui o poder e a enormidade das respostas emocionais que recebe do público.

A realização de Coogler deixa poucas dúvidas de que “Creed” está a escrever uma carta de amor a Rocky, ao mesmo tempo que cria uma narrativa original sobre a sua própria criação, Adonis Creed (Michael B. Jordan). Coogler capta perfeitamente as suas intenções com o filme numa conversa precoce entre Rocky e Adonis; conversa moldada com Stallone e Jordan à frente de um retrato de Rocky e Apollo Creed. Coogler encaixa os seus actores em cena de maneira a que  a imagem de fundo sirva como um flashback e um flashforward.

“Creed”  lembra-nos que, mesmo na sua forma mais absurda, a saga “Rocky”, tem sido sempre sobre a perda. Especificamente como estas perdas afectam as personagens e como elas crescem a partir delas.

Este filme dá-nos um novo herói, e Jordan é excelente para retratá-lo. A estrela, que trabalhou com Coogler na soberba “Fruitvale Station” transmite a confusão que muitos jovens têm enquanto forjam e aceitam as suas próprias identidades. Coogler é magistral nos tiros desportivos, agitando o público num frenesim de excitação, decidindo exactamente o momento certo para, descaradamente, por a tocar “Gonna Fly Now”. Donnie Creed também recebe sua própria, e triunfante versão de subir as escadas do Philadelphia Museum. É absolutamente impressionante (observa bem onde Coogler coloca Stallone nesta sequência).

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“Let me tell you something you already know. The world ain’t all sunshine and rainbows. It’s a very mean and nasty place and I don’t care how tough you are it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain’t about how hard ya hit. It’s about how hard you can get hit and keep moving forward. How much you can take and keep moving forward. That’s how winning is done!”

Falando em Museu da Filadélfia, “Creed” termina lá com uma cena que garante choros dos fãs de Rocky Balboa. Eu não sonharia em estragar as razões pelas quais o filme termina aqui, nem me atrevo em mencionar com funciona a cena, mas funciona.

Tal como o actor quase septuagenário, o filme também se mexe lentamente, no entanto, garanto que pelo final, irám mexer consigo!

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