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Revolutionary Road (2008)

“Revolutionary Road” exibe o sonho Americano acordado, em sobressalto, por um enorme pesadelo. O filme decorre na década de 50 e recria a vida de um jovem casal, que se conhece numa festa, se casa e cria uma feliz vida nos subúrbios, com uma casa bonita e um relvado bem tratado, duas pequenas crianças, martinis, cigarros, trabalho desinteressante para ele e lidas domésticas para ela – desespero para os dois.

Os Wheelers, Frank e April, cegos pelo amor, caem no engano de que a sua vida a dois os irá permitir alcançar e realizar os seus sonhos e expectativas par o futuro. O problema é que não tem nem fantasias nem sonhos; têm anseios; fome de algo mais do que uma cansativa descida até à meia idade.

Billy Wlder em 1955 cria uma obra a que chama “The Seven Year Itch” sobre a inquietação que absorve os casamentos quando os membros unificados perante a igreja ou o estado se apercebem que a lua de mel acabou e que existe um espaço vazio, cheio de vácuo e esperanças de um futuro, existe entre eles.

“Look at us. We’re just like everyone else. We’ve bought into the same, ridiculous delusion.” – April Wheeler

Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet) não conseguem ver um futuro convidativo para nenhum dos dois. Frank, tous les jours acompanha a marcha de homens de fato e chapéu na Grand Central a caminho dos seus empregos sem qualquer significado e significância. April sugere que se demita para que possam mudar-se para Paris – local das suas juventudes e que se afigura como o único local onde podem alcançar os seus sonhos – e que ela mesma o irá sustentar.

O verão desfeito de esperanças e traçado por planos arruinados é excruciante não só porque força April e Frank a admitir o seu fracasso existencial, mas também porque lhes mostra uma felicidade que nunca conheceram se nunca tivessem pensado em ir fugir das suas vidas rotineiras. Este plano não estava inteiramente para lá da barreira do plausível, e a a possibilidade do casamento ser igualmente infeliz em Paris reforça a agonia daquele “sonho”.

DiCaprio e Winslet são tão bons; param de ser actores e tornam-se realidade, aquelas pessoas com quem crescemos e com quem partilhamos a nossa existência. Aqui a vida é uma doença, desde o fumo, a bebida e o desespero.

Kate Winslet é realmente brilhante; a confiança e a lancinante perfomance domina e anima o filme, enquanto cria uma certa assimetria no cerne da história. A expressão, tão poderosa na sua impassibilidade, e em simultâneo tão difícil de ler sugere  medo e raiva.

O realizador Sam Mendes, que já dissecara o desespero suburbano em “American Beauty”, um filme que após este parece misericordioso mostra mais uma vez um par de vidas transtornadas pela sua própria insignificância. Uma adaptação fantástica do romance de Richard Yates de 1961, a voz da chamada Age of Anxiety. O filme é tão bom que é devastador.

 Don’t you know you’re life itself
Like a leaf clings to a tree
Oh my darling, cling to me
For we’re creatures of the wind
And wild is the wind
So wild is the wind

  • Grande, grande filme, com interpretações brilhantes. O Dicaprio e a Kate são uma parelha que resulta, dentro e fora do ecrã.

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