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The Walk (Robert Zemeckis, 2015)

Em 1974 Philippe Petit, um francês de 25 anos, e ao fim de quase 7 anos de preparação, decide atravessar as duas torres do recém-construído World Trade Center. Nota: a travessia não era térrea, era aérea, e não aconselhada a pessoas com vertigens, ou a pessoas no geral…

Contextualizando: Philippe (interpretado por Joseph Gordon-Levitt) é um artista que caminha em cima de arames, amarrados entre dois pontos, normalmente a alturas assinaláveis. Um dia, no consultório do dentista, o jovem francês houve falar da construção do World Trade Center, duas torres gigantes, em plena Nova-Iorque. Movido pela glória, ou talvez pelo desejo de ser o primeiro (e o único a cometer a proeza), Philippe decide montar um plano (ilegal), que incluía uma série de cúmplices, com algumas características especiais. Desde professores, passando por artistas de rua, culminando em um, ou outro, janado.

Sim, esta história é real, mas assim como a contextualização do texto, é o enquadramento do filme que mais aborrece. Isto é, demora muito tempo a aquecer. Desde que percebemos o plano que só queremos ver o desfecho, então somos amarrados pelo enredo, até ao desenlace. No entanto, até chegarmos ao desenlace, a coisa demora, e demora…

Chegando aos últimos 40 minutos de filme, entra em ação a mestria do grande Robert Zemeckis (que realiza e coassina o argumento adaptado). Zemeckis que nos trouxe, por exemplo, Forrest Gump, é um exímio contador de “Estórias”, e como em toda a boa estória, precisamos de visualizar. Neste caso, visualizamos, e de que maneira.

Chega o momento da verdade: o Homem suspenso a quase 500 metros do chão e com muitos metros para galgar entre torres. A respiração aperta-nos, a fotografia faz-nos vertigens, quase náuseas. O coração bate a cada passo sustentado apenas por um arame que faz de chão para Philippe

Para isso agradecemos aos geniais efeitos especiais, onde a retórica fica parca em palavras. Aqueles 40 minutos de filme mereciam óscare(s). Efeitos especiais, interpretação (O Joseph nesta parte deixa de ser Joseph e funde-se com o Philippe), melhor realização (são efetivamente 40 minutos em cima do arame). Curiosamente, estes 40 minutos, quase sempre no mesmo sítio, são muito mais dinâmicos que os restantes 80 minutos de obra.

Talvez por essa razão, o filme tenha sido algo esquecido nos prémios do ano transato. Agarra, não desilude, mas não é sólido globalmente.

Não obstante, só pela parte final vale a pena ver. Preferencialmente num ecrã bem grande, onde possam sentir toda a magnitude das vertigens.

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