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A Rainha do Deserto (Queen of the Desert, 2015)

O novo filme de Werner Herzog retrata o papel histórico da escritora-viajante-política-arqueóloga Gertrude Bell (Nicole Kidman) durante o declínio e a dissolução do Império Otomano, nas primeiras décadas do século XX. A importância desta corajosa e determinada mulher é desde logo revelada na primeira cena do filme, em que vemos Churchill, T. E. Lawrence (a.k.a. Lawrence da Arábia) e oficiais do exército britânico numa sala no Cairo a discutir o delineamento das novas fronteiras do Médio Oriente, após a queda do referido império. Nessa cena, o oficial que está a assumir o desenvolvimento da reunião é interrompido por um outro (Damian Lewis, no papel do Major Charles Doughty-Wylie), que lhe diz que sabe onde é que o primeiro conseguiu obter todas as informações que estava a transmitir – a mulher.

Quem é, afinal, esta mulher? Gertrude Bell foi uma mulher de uma família abastada e uma brilhante estudante de História, que se começa a sentir presa em sua casa, rogando por isso aos pais que a deixem viajar para longe. Desejo concedido e viajem para Teerão, na altura na Pérsia. É aí que começa não só um romance com Henry Cadogan (James Franco), um funcionário da embaixada britânica de Teerão, mas também uma enorme paixão por toda a região do Médio Oriente. Depois, vemos como, em poucos anos, Bell atravessa grande parte dessa região montada num camelo, fazendo expedições em países como a Síria e a Palestina. Nessas viagens, arrisca muitas vezes a sua vida e a dos seus companheiros, mas o facto de ser mulher e de, acima de tudo, ser diplomaticamente muito dotada (é impressionante!), granjeia-lhe respeito e contactos com muitos líderes tribais, algo que se viria a provar determinante no redesenhar do mapa do Médio Oriente.

Assim, vamo-nos apercebendo ao longo do filme da construção de um animal político e diplomático, de uma mulher determinada e perspicaz, que desafiou os limites sensíveis próprios de tempos de guerra. Apercebemo-nos também, mais uma vez, de como a coragem e a paixão andam de mãos dadas. De facto, Bell é um excelente exemplo disso mesmo.

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