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American Honey (2016)

American Honey é claramente um filme de escola, com um pedigree indie. Andrea Arnold tem assim uma estreia auspiciosa na realização de uma película americana, principalmente para toda a audiência utilizadora de monóculo.

Imaginem o filme Spring Breakers, com o retrato de uma juventude perdida, típico de um filme de Gus Van Sant, com uns toques niilistas dos filmes de John Hughes sobre a adolescência dos anos 80.

Depois de quase 3 horas que deambulam entre a curiosidade, e a dormência, eis o que me apraz dizer: arranjem facebook aquela malta do filme, a ver se eles normalizam um bocadinho.

Focando a narrativa, esta centra-se em Star (a estreante Sasha Lane), uma sulista com uma vida complicada (tinha de ser!), que farta de viver daquela maneira, decide embarcar numa viagem com um grupo de jovens desconhecidos, com Jake (Shia Labeauf) à cabeça, para vender coisas que ninguém quer.

Depois, tenta-se dar um retrato da sociedade americana, fazendo um contraste entre a juventude perdida, e a classe alta, burguesa e hipócrita, mostrando diversas cores da América (vista por um realizador britânico).

Para isso temos acesso a todos os clichés dos filme pseudo-intelectuais indie: temos as crianças pobres e tristes, sem prestadores de cuidados, temos uma cena em que os personagens surgem num descapotável com os braços de fora, sem esquecer o fogo-de-artifício, e as filmagens tremidas (dizem que dá realismo à coisa).

Pelo lado positivo, ainda que a narrativa não chegue a lado nenhum, e ao fim de 2 horas já só se conseguir pensar no nosso estômago a roncar, a verdade é que, a espaços, Arnold consegue dar alguns apontamentos cinematográficos muitos interessantes. Nesse sentido, a exploração sexual dos personagens, e as suas inquietações, são por vezes muito bem documentadas, e bem sustentadas em alguns diálogos.

Agora perdoem a parca capacidade meta-crítica de quem vos escreve, mas o filme é uma seca. Elitista, nada inclusivo, confunde contemplação com desorientação, não vai a lado nenhum, e parece-me experimentalista demais (sem um conceito na base). Mas lá está, vi-o sem monóculo, sem bigode à Eça, sem estar acompanhado de um Chardonnay envelhecido em pipa de carvalho, por isso, se calhar o errado sou eu.

 

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