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Filmes da Minha Vida #8: Mulheres Giras (Beautiful Girls, 1996, Ted Demme)

Quando pensamos em filmes da nossa vida, dificilmente nos lembrarmos só de um, ainda mais complicado é perceber como é que eles atingem esse nível dentro da nossa mente. Com Beautiful Girls, esse estatuto atingiu-se imediatamente..

O que o torna tão especial? A identificação e o paralelismo que é possível fazer com a nossa própria vida a dado momento. Com o bónus gigantesco de ter a Natalie Portman, e ser uma inevitabilidade eu vir a casar com ela – só falta ela saber. Depois, porque todo a obra gira em torno de uma palavra que muitas vezes se cruza connosco algures no caminho: diletância.

O argumento centra-se em Will, um pianista que se vê encurralado. Tem uma namorada, uma espécie de carreira, mas questiona-se se é mesmo isso que quer.

It´s not about growing old, you just don´t wanna grow up.

À procura de respostas, decide-se por voltar ao bairro, e reencontrar os amigos do secundário.

Agora imaginem um filme com o background Scorcesseiano, e os diálogos do George Constanza, e assim chegamos à fórmula mestre. Em Beautiful Girls somos confrontados com toda a sabedoria de rua, e toda uma filosofia de vida epicurista, debitada por gajos de alfama.

Com direito ainda a uma Femme Fatale (Uma Thurman), que tenta trazer uma dose citadina e feminista a uma visão hipermasculinizada da sociedade.

Trocando por miúdos: temos diálogos inteligentes, na boca de pessoas com o 4º ano tirado à noite, o que torna esta obra “one of the kind”.

Quase que me arrisco a dizer (e a internet confirma), que a história é baseada na vida do próprio argumentista (Scott Rosenberg) que, qual Richard Linklater, constrói diálogos perfeitamente fluidos e com uma linha condutora magistral. Havendo ainda tempo para uma Natalie Portman com 13 anos, e um amor platónico quasi-pedófilo, numa personagem que incorpora todo o interesse de uma Lolita, mas sublimado em carisma infantil. Pode parecer estranho, mas em momento nenhum sentimos o desconforto de um possível romance proibido.

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No final, esta obra apresenta-se com uma fluidez perfeita, mas sem a necessidade de uma construção de uma narrativa típica. Não sentimos o início, não percebemos o meio, nem queremos propriamente que o filme acaba, e como as grandes obras, dá-nos o conforto de um fim, mas a inquietação de um final em aberto.

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