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Shut In – Reféns do Medo (2016)

As 6 regras para fazer um filme de terror preguiçoso são: A) colocar os personagens principais (Naomi Watts e Charlie Heaton) numa habitação no meio de nenhures; B) dificultar sempre a comunicação com o exterior; C) insinuar a existência de entidades esotéricas; D) retirar sempre a rede dos telemóveis; E) colocar condições atmosféricas adversas (neve); e F) poupar na eletricidade. Voilá, eis mais um filme num milhão, que não acrescenta nada, e que apenas desperdiça talento.

A história centra-se na personagem de Watts (Mary), uma madrasta/terapeuta, que vê o seu marido (não interessa) e o seu enteado (Stephen) adolescente (e mal comportado) envolvidos num acidente que tira a vida a um e torna o outro vegetal (não é spoiler se estiver no trailer!).

Depois, aparece um miúdo misterioso (seu paciente) que tão depressa aparece, como desaparece, sendo dado como alegadamente morto.

A partir daí entramos numa espiral de acontecimentos e pouca iluminação, munida de barulhos e twists facilmente antecipados (a não ser que seja o primeiro filme de terror que vêm).

Como nem tudo pode ser mau, a última meia hora da obra traz-nos à memória o filme American Psycho, com tudo o que isso tem de bom (e de mau), ainda que a barreira entre o susto e o ridículo seja muito ténue. A verdade é que pela qualidade dos actores, e pelo cliché dos espaços fechados, esse jogo óbvio acaba por surtir um efeito que pode ser confundido com um susto, ou com soluços (se nos começarmos a rir compulsivamente).

É desta forma que Farren Blackburn (quem?) realiza esta película, com a ajuda (?) da estreante Christina Hodson que ass(ass)ina o argumento, e se tudo correr bem a partir de agora só assinará livros de cheques e a ficha de inscrição no centro de emprego.

Se mesmo assim quiserem perder o vosso tempo e ir ver isto ao cinema, levem amigos, uma garrafa de whisky, e imaginem que o miúdo vegetal é o Jim Carrey, e depois contém-nos tudo.

  • Sala Esgotada

    É pena, porque o Jacob teve excelente em “Room”, e se este é assim tão mau pode ser uma pequena nódoa no seu curriculo. Mas ele ainda tem muitos anos pela frente.

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