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Toda a Verdade (The Whole Truth, 2016)

Keanu Reeves é um pouco como aqueles putos gordos de óculos na escola primária: somos todos contra o bullying, mas se tivéssemos que adivinhar quem o sofre…sim, era o puto gordo.

Keanu há muito que se tenta livrar dos bullys de Hollywood e, recentemente, voltou às boas graças do público com John Wick, o filme onde distribui porrada, como castanhas em Novembro.

Passamos agora para uma outra tentativa nobre e séria de protagonizar um thriller, no qual interpreta um advogado – como já o tinha feito de forma bem-sucedida em O Advogado do Diabo – munindo-se também de uma loira – no filme de 1995 era Charlize Theron, e agora Renée Zellweger. Depois apresenta-se um caso bicudo: um adolescente (Gabriel Basso) terá alegadamente morto o pai, mas desde o possível crime que se recusa a falar, até mesmo com o seu advogado.

Até aqui tudo bem, os problemas só começam quando os twists passam de excessivamente óbvios, para excessivamente ridículos. Sem falar que a narração do filme, feita pelo próprio personagem principal, é hilariante, o que, sendo um drama, se torna complicado.

Lá para o meio, quando a plateia já está prestes a adormecer, acontece o twist que ninguém estaria a espera, e que tem o condão de acordar a audiência. Porém, o facto de ser tão caricato, acaba por voltar a arrancar mais risos, do que outra coisa. A recta final do filme é mesmo a parte mais hilariante de toda a obra.

Assim, ainda que seja nobre a tentativa de crítica ao sistema de justiça norte-americano, pondo a mesma em check, a verdade é que desenvolve mal a premissa e, ao tentar ser diferente, torna-se vítima de chacota.

Neste caso o Puto gordo de óculos, coloca lentes de contacto, e pinta o cabelo de loiro. Ainda que o output visual possa ser diferente, em termos práticos, irá sempre apanhar no recreio.

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