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Beleza Colateral (Collateral Beauty, 2016)

Por estarmos constantemente a ser bombardeados com maus exemplos, é bom perceber que ainda há esperança para a 7ª arte. Que é como quem diz: às vezes, no meio de tanta decepção, é bom saber que ainda existem coisas boas. Bom, assim do nada, isto poderia descrever Beleza Colateral mas foi só mesmo a introdução mais apropriada para descrever este filme que marca – e mesmo o leitor mais insensível não se escapa! E é difícil algum filme marcar este coraçãozinho empedernido. Mentira, vá, mas raros são aqueles que o fazem (assim de repente lembro-me do Dallas Buyers Club e é só isso).

A curiosidade acerca da obra de David Frankel era mais que muita e especialmente porque a probabilidade de sair do cinema a chorar era bastante alta. Devo dizer que contribuí para esta estatística sem qualquer tipo de pudor em admitir tal feito.

Comecemos pelo início: Howard era um tipo bem-sucedido até a sua filha morrer. A partir daí, decorrem 3 anos desde o início da ação, com o nosso protagonista completamente derrotado perante a vida e a gastar dias em grandes construções de dominós (ao princípio quase que essa ação aparenta ser uma metáfora de como a sua vida tinha ruído, mas mais tarde perceberão  que é algo mais). Apesar da história ser à volta desta premissa, na verdade, Will Smith acaba por cair para segundo plano. E isto facilmente acontece porque o ator fala muito pouco durante quase o filme todo (apesar da perda e tristeza estarem bastante presentes na sua expressão.) O nosso protagonista divide o ecrã com Whit (Edward Norton), Claire (Kate Winslet) e Simon (Michael Peña) e ainda com Amy (Keira Knightley), Brigitte (Helen Mirren) e Raffi (Jacob Latimore), nomeadamente, o Amor, a Morte e o Tempo.

Preocupados com o seu amigo e num daqueles acasos que só nos filmes é que acontecem, Whit encontra três atores, pedindo-lhes algo caricato: que encarnem as entidades para as quais Howard tinha escrito cartas. Na hora de guiar os atores, os três amigos vêem-se ligados a estas três entidades sendo que nos apercebemos que este emparelhamento foi propositado: Whit luta pelo Amor da filha; Simon percebe que a sua própria Morte está mais perto do que esperava e Claire luta contra o Tempo para ser mãe. Howard dá por si, então, a falar sobre as suas cartas com os próprios destinatários das mesmas. Ao mesmo tempo que o objetivo passava por ser terapêutico, Whit, Simon e Claire, deparam-se com exigências e dificuldades a nível profissional causadas pela inércia de Howard em fazer algo relativamente à empresa, pelo que elaboram um plano para evitar que a empresa perca tudo o que tinha sido construído até então. No meio disto tudo, Howard começa a frequentar um grupo de apoio para pais que passaram pelo mesmo sendo que no final do filme temos um plot twist que nos apanha de surpresa.

No meio de tanta desgraça, falar de morte torna-se redudante mas pode-se fazê-lo com mestria. Alguns momentos descontraídos aligeiram o drama inerente à situação da morte de um filho e não se fica indiferente à importância que é dada à amizade. Na verdade, o difícil e não verter uma lágrima e é impossível não se sair do cinema sem refletir sobre a vida e sobre o que é importante para nós mesmos. Quando lidamos de perto com a morte, é mais fácil focar-nos no que é essencial. Mais não seja, saímos com a sensação de que damos muito pouco valor ao que realmente importa e quando um filme tem esse poder de iluminação, vale a pena dedicar-lhe 97 minutos de atenção.

Para além do potencial transformador desta história, é de destacar o elenco. Com nomes tão sonantes não poderíamos sair decepcionados e, felizmente, isso não aconteceu. Contudo, Will Smith torna-se um pouco chato ao longo do filme. Isso ou ficámos sem paciência para o seu ar sofredor permanente (não nos julgarás, Judas!). No meio disto tudo, Helen Mirren é espetacular na sua personagem: jovial e caricata mas com alguns laivos de seriedade. A verdade é que no fundo só queríamos ser tão bonitos quando chegassemos a tal idade.

 

  • Margarida Duarte

    se já estava curiosa, agora fiquei mais! claramente é um must see

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